quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

SALVADOR e o Paraíso da CARNE do SOL:

Salvador e seus múltiplos sabores
O Paraíso da Carne do Sol quase sempre com fila na porta

Lugar simples
O lugar é muito simples, a comida é despretensiosa e tem a cara da Bahia. O restaurante Paraíso da Carne do Sol fica ali, entre os bairros da Pituba e de Amaralina (Av. Octávio Mangabeira, 15) , em frente ao mar. Está quase sempre lotado porque a comida é muito boa, o atendimento costuma ser eficiente  e tem ar condicionado.

As porções são fartas e quando vamos somente Léo e eu, pedimos para embrulhar, levamos para casa e garantimos o almoço no dia seguinte. O cardápio é bem variado, mas temos nossas preferências.

Água de coco e queijo coalho com melaço

Carne do Sol e seus acompanhamentos
Para começar, uma jarra de água de coco para beber e um queijo coalho com melaço de cana de açúcar como entrada. Como prato principal, carne do sol acompanhada de aipim cozido, feijão fradinho, vinagrete, pirão de leite e farofa de paçoca. Claro que não pode faltar a saborosa e ardida pimenta baiana e a manteiga de garrafa.

Quem disse que comida boa não pode ser simples e descomplicada? 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SALVADOR e a Caixa CULTURAL:



Água de coco que refresca

Verão em Salvador é quente. Verão em Salvador é ensolarado, colorido, cheio de turistas e com cheiro de maresia, do azeite de dendê que vem das moquecas, do acarajé e do abará dos tabuleiros das baianas. O verão em Salvador tem corpos bronzeados e sotaques diversos. 

O verão em Salvador combina com Timbalada e Sarau do Brown no Museu do Ritmo. Combina com a Terça da Benção do Olodum, com voltar ao passado subindo e descendo as ruas do Pelourinho. Verão em Salvador combina com praia, areia, com sandálias havaianas, cerveja gelada, água de coco e roskas variadas.

Combina com tomar um sorvete na Ribeira e pedir a benção na Igreja do Sr. do Bonfim ou aos Orixás no Dique do Tororó. Verão em Salvador combina com festa e alegria, mas combina também com Caixa Cultural e com exposições.

Caixa Cultural Salvador

Exposição de Cândido Portinari
As portas lindas da Caixa Cultural

Vista para a baía de Todos os Santos desde a Caixa Cultural
A Caixa Cultural em Salvador foi inaugurada somente em 1999, mas funciona em um prédio velho, antigo, secular, onde um dia, lá pelo século XVIII, foi a Casa de Oração dos Jesuítas. O edifício foi doado aos padres da Companhia de Jesus por um anônimo. Hoje, em meio às suas paredes brancas em contraste com lindas portas azuis, abriga exposições temporárias. 

O sobrado de dois andares por si só já merece uma visita: ele é lindo e está muito bem conservado! Isso sem contar que a casa tem um pouco da alma das centenas de pessoas que percorreram aquelas salas antes nós, meros apreciadores de arte.

No número 57 da Rua Carlos Gomes já funcionou o jornal Diário de Noticias e já foi residência de famílias baianas abastadas. Aqui também já funcionou um asilo para viúvas idosas e uma casa de jogos. Tem história este prédio tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional! Já viu e viveu muitas coisas. E agora, como uma cereja em cima de um bolo magnifico ele hospeda muitas exposições interessantes, para todos os gostos. 

A Rua Carlos Gomes, onde a Caixa fica é uma das ruas de maior simbolismo da capital baiana, por onde passam os trios durante o carnaval no circuito mais tradicional e antigo da cidade. Ali próximo está a famosa Praça Castro Alves, aquela que é do povo, como canta a antiga marchinha de carnaval composta por Caetano Veloso.

A Rua Carlos Gomes, uma rua popular e caótica, tem um delicioso ar decadente, Há casas antigas, velhas mesmo, estragadas pelo tempo, cheias de rugas. Durante a semana é engarrafada com carros, ônibus e pedestres e seus barulhos, cuidando de suas vidas modernas. Aos domingos é quase vazia e silenciosa. Meu dia preferido para visitar a Caixa. 

Exposição de Cândido Portinari e Sérgio Campos
As escadarias do sobrado de dois andares

Rua Carlos Gomes

Portinari e Sérgio Campos
Na primeira semana de Janeiro eu estive lá para ver a exposição de Cândido Portinari e Sérgio Campos (até 31/01/2016). Eu não conhecia a obra dele e me encantei, talvez, por me fazer voltar à minha infância através de seus espantalhos, cangaceiros e meninos armando suas arapucas, mas meu apreço total vai para o Menino Morto, tão triste e desolador. 

Vi sofrimento e ao mesmo tempo conformismo em seus personagens. Vi lágrimas ainda que não vertidas. Vi suor nas colheitas de café, mas ouvi os risos das crianças que plantavam bananeiras. 

Sérgio Campos deu vida às personagens de Portinari. Esculturas em bronze onde eu esperei que a qualquer momento elas fossem criar vida e falar comigo. Acho mesmo que a menina de tranças piscou para mim. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

SALVADOR com azeite de DENDÊ:

Moqueca de camarão
Salvador é uma cidade muito peculiar: tem malemolência e cheira a maresia e a dendê. A gastronomia típica é muito rica, colorida, aromática, forte, quente e muito, muito saborosa. Combinação de influências de muitos povos que por aqui passaram deixaram um resultado que não podia ser mais gostoso. 

A fachada

Turistas e Baianos

Nós e nossa moqueca
Um de meus pratos favoritos e tipicamente baianos é uma boa moqueca: camarão, siri, aratu, siri mole... Não importa. Só lembrar desta delícia feita com o azeite de dendê sinto a boca encher de água. Há bons lugares para se comer moqueca na cidade, mas tem um que eu adoro: o Ki-muqueca. 

Tem muitas unidades espalhadas pela capital da Bahia, mas eu gosto muito da que fica no bairro de Jardim Armação (Av. Octavio Magabeira,136 //11:30 - 22:30) em frente à praia. Um grande salão com garçonetes vestidas com saias coloridas e torso na cabeça, geralmente com um sorriso simpático no rosto. O serviço, que não costuma ser grande coisa na cidade, pode ficar bem atrapalhado, mas no Ki Muqueca ele não costuma ser demorado e costuma ser gentil.

Uma coisa é quase certa: a fila na porta. A não ser para quem madruga e chega antes do meio dia, esperar na fila é quase uma certeza, mas eu acho que vale à pena. 

Caldo de sururu: o que restou dele

Feijão fradinho, pirão e moqueca de camarão prontinhos para serem devorados

O pirão e o feijão fradinho
Neste primeiro domingo de 2016 nós fomos almoçar lá. Esperamos cerca de 40 minutos na fila, de pé, do lado de fora. Apesar das fortes temperaturas do verão soteropolitano o mar nos enviou uma brisa que refrescava tudo e tornou a espera com a vista linda de um mar azul, agradável e rápida. 

Fomos conduzidos ao final do salão, com ar condicionado, item necessário, diria até indispensável nestes dias quentes. Uma garçonete redonda, risonha e confusa nos atendeu. Como entrada pedimos casquinha de siri e um caldo de sururu. Preciso afirmar: deliciosos!

A moqueca de camarão, maravilhosa, cheirosa, borbulhante, veio na sequencia, com seus acompanhamentos: pirão, farofa de dendê e feijão fradinho. Cominação perfeita. Os acompanhamentos variam de restaurante para restaurante. Acompanha arroz branco também, mas nós pedimos para trocar por mais uma cumbuca de feijão e outra de pirão. Uma boa pimenta baiana deu o toque final. Para beber água de côco e cerveja. 

Cocada mista

Cocada + café
Para sobremesa escolhemos cocada mista (preta + branca) com café: casamento feliz. Quando nos decidimos, chamamos nossa simpática garçonete para fazer o pedido. Ela disse que iria até outra mesa e voltaria em seguida. No entanto, ela esqueceu-se de nós e foi indo embora com toda a ginga baiana. 

No meio do caminho, e do salão, ela lembrou-se de nós e voltou correndo, desviando das bandejas de moqueca, até nossa mesa. Quando nos alcançou eu nem sei quem ria mais: eu ou ela.

Com simpatia o serviço nem sempre eficiente é compensado e assim, neste primeiro domingo de 2016, tivemos um delicioso almoço baiano, com muito dendê e pimenta.