segunda-feira, 30 de maio de 2016

Palazzo PITTI, Florença:


Descobrimos que no primeiro domingo de todo mês o Palazzo Pitti é gratuito. Assim, nos organizamos para visita-lo nesse dia: o primeiro domingo de dezembro. 

A única obrigação que tínhamos era chegar cedo (cerca de 5 ou 10 minutos antes de abrir, segundo nos orientou o moço da bilheteria uns dias antes para não pegarmos fila), pois justamente por causa da entrada franca, as filas costumam dar voltas no quarteirão e as salas do palácio ficam lotadas. 

Para evitar isso, e o risco de não conseguirmos entrar, acordamos com as galinhas e chegamos ao Pitti às 08:10 quando ele estava começando a abrir.

O dia nasce assim em Florença 

Florença nos dá bom dia

Minha hora preferida do dia

Adoro ver uma cidade acordando

Espetáculo  

Bom dia Florença

As cores da Ponte Vecchio nas primeiras horas do dia

Florença vista da Ponte Vecchio

Léo, o frio e a Ponte Vecchio

Beleza sob qualquer ângulo

A Ponte Vecchio foi nossa
O entardecer em Florença é muito bonito, mas o amanhecer que nós presenciamos neste que seria nosso último dia na cidade, foi glorioso. Parecia até que Firenze sabia que estávamos em ritmo de despedida e nos disse adeus com este presente espetacular. 

As luzes de Florença, eu nunca me cansarei de repetir isso, tem algo de mágico, especialmente quando reflete a cidade nas águas calmas do Arno. Eu acredito firmemente que o mundo é governado pela magia e não pela razão e caminhando pela orla do rio naquele domingo eu tive ainda mais certeza disso. Acho que sempre que me lembrar dessa viagem, essa será a primeira imagem que pipocará em minha mente.

Caminhamos sem pressa, pois tínhamos tempo, com o sol aquecendo levemente o rosto, quebrando a monotonia do frio. Minha hora preferida do dia! Florença estava gelada: foi, de longe, o dia em que a temperatura esteve mais baixa. A cidade, naquelas primeiras horas da manhã, era nossa, inteiramente nossa. 

O Palazzo Pitti

Léo e o cenário em frente ao Pitti

O Palazzo Pitti

Aqui o autor russo Dostoievski escreveu O Idiota
Chegamos ao Pitti e havia pouquíssimas pessoas na fila, fato que mudaria ao longo do dia, com mais e mais visitantes chegando. Pegamos nossos tickets na bilheteria. Podemos dizer que o Pitti é um conjunto de museus abrigados dentro de uma mesma estrutura, o palácio.

Há, portanto, várias opções de recorrido e podemos combiná-las de acordo com os nossos interesses e claro que isso reflete diretamente nos valores dos ingressos. São eles: Galleria Palatina, Appartamenti Reali, Museo degli Argenti, Galleria d´Arte Moderna e Galleria del Costume. Passamos quase o dia inteiro aqui. 

O grande (em tamanho e imponência) edifício foi construído no século XV para o banqueiro Lucca Pitti que tinha intenção de superar a família Medici na demonstração de força, poder e riqueza.

A ironia dessa história é que os Medici terminaram comprando o palácio, pois os herdeiros do banqueiro não conseguiram arcar com os altos custos de manutenção do Pitti, tornando-o a residência principal da família.

Em frente ao Palazzo está um prédio que diz que o renomado autor russo Fiodor Dostoievski (adoro os escritores russos) escreveu o romance "O Idiota" na segunda metade do século XIX, ali.

Entrando no Palazzo Pitti

O esplendor do Palazzo Pitti

Luxo e ostentação

Madonna com Gesú Bambino de Filippo Lippi

Encontramos algumas salas e corredores mais vazios

Encontramos salas mais ou menos cheias
O acervo, que abriga diversos tesouros da família Medici é grandioso. Eu me deliciei com tantas obras bárbaras, embora o tempo, obviamente, tenha sido curto para tanta arte: ele voou!

Conseguimos pegar corredores e salas vazias, mas elas logo começaram a encher. Em alguns momentos a observação e apreciação tornaram-se muito difíceis pela quantidade de pessoas transitando.

Começamos pela Galleria Palatina, o núcleo central do palácio, onde tivemos acesso a quadros de artistas como Filippo Lippi e Rafaello. Seguimos para os Appartamenti Reali onde estivemos em ambientes muito suntuosos e logo na sequência fomos à Galleria d´Arte Moderna com quadros de Ruggero Panerai, onde o moderno aqui não se aplica aos nossos dias, ao nosso século e sim à arte produzida no século XIX e início do XX.

A cada vez que mudamos de “museu” temos que apresentar os bilhetes. 


A fila dava voltas no quarteirão no fim da manhã

Os apaixonantes telhados de Florença

Os Jardins de Boboli e o Palazzo Vecchio ao fundo

Arte do chão ao teto - Galleria Palatina

Florença vista de uma das janelas do Palazzo Pitti

O Jardim de Boboli visto do primeiro andar do Pitti

De uma das janelas vemos Santa Maria del Fiori, o Duomo de Florença

Um dos ambientes suntuosos - Appartamenti Reali
As salas têm janelas que nos permitem vislumbres do exterior, como os telhados de Florença (os telhados da Toscana são apaixonantes) e o Jardim de Boboli que visitaríamos ainda naquele dia. Eu estava sempre alternando meu olhar entre a beleza interna e a externa.

O Pitti tem, literalmente, arte do chão ao teto: em determinados ambientes era tanta informação, que foi complicado saber por onde começar. Paredes tomadas de quadros, afrescos no teto, tapetes no chão, móveis e quartos luxuosos, estruturas monumentais. Isso sem falar nas diversas esculturas de variados tamanhos e temas. Como Florença produziu e preservou arte! Eu me senti eufórica percorrendo suas salas. 

L´arrivo di Vittorio Emanuele II in Piazza della Signoria a Firenze - Galleria d´Arte Moderna

Piccarda Donati fatta rapire dal fratello Corso dal Convento di Santa Chiara - Galleria d´Arte Moderna

Galleria d´Arte Moderna

Galleria d´Arte Moderna - retrato da Florença do passado que se mistura com a Florença do presente

Coronari - Galleria d´Arte Moderna

Dante di Fronte a S. M. Novella - Galleria d´Arte Moderna

O Olimpo  - Galleria Palatina

Fonte ao Livorno - Galleria d´Arte Moderna

Sala do Trono - Appartamenti Reali

O quarto do rei - Appartamenti Reali

O estúdio do rei - Appartamenti Reali

Salão Bianca - Appartamenti Reali
Encontramos coisas interessantíssimas como o quadro pintado por Enrico em fins de 1800, chamado L´arrivo di Vittorio Emanuele II in Piazza della Signoria a Firenze, onde pudemos ver retratada a mesma, idêntica, Piazza della Signoria de agora, por onde passamos inúmeras vezes naqueles dias na cidade, com um ingrediente que nos remeteu ao passado: as pessoas retratadas. 

Um acervo grande assim, nos permite descobrir outros artistas: encantei-me especialmente por Raffaello Sorbi por conta de seu Piccarda Donati fatta rapire dal fratello Corso dal Convento di Santa Chiara e Luigi Serra, com seu Coronari ou de voltar a me encantar com artistas já conhecidos como Giovanni Boldini. 

Esta viagem pelas salas do Pitti me permitiu ainda ver Dante di Fronte a S. M. Novella e subir ao Olimpo no afresco da Sala dell Iliade, onde os Medici e convidados jogavam truco.

Fonte ao Livorno de Adolfo Belimbau é natural e feliz. Atual e antigo, pois identificamos elementos que nos remetem ao passado, mas que sobreviveram ao passar dos anos, tornando-se atuais, uma vez que fazem parte do dia a dia da cidade. Não são elementos mortos.

Eu gosto especialmente dos quadros que retratam paisagens porque criam um paralelo entre passado e presente, como lugar e pessoas eram e como são atualmente. Acho uma observação divertida.

Os ambientes que compõem os apartamentos reais são luxuosos, cheios de informações, com cada metro quadrado contendo alguma referência decorativa, quase sempre carregados de cores muito fortes. 

Talvez a exceção, em termos de cores pelo menos, seja o salão Bianca, antecâmara que permitia acesso ao quarto dos cardeais e príncipes estrangeiros, com predominância de branco que permite um descanso aos olhos.

Depois de visitarmos a Galleria Palatina, os Appartamenti Reali e a Galleria d´Arte Moderna, fomos até a cafeteria para fazermos um lanche.

Léo, o guia, o café e a cafeteria no topo da foto
A cafeteria é caótica: ela é pequena e estava lotada. Como fazia muito frio do lado de fora as pessoas se amontoaram dentro dela, divididas na fila, no balcão e nas mesas. Para sentar à mesa é necessário pagar mais caro, às vezes muito mais caro.

O problema é que nem todo mundo observava o cartaz que informava isso. Já sabendo que esta era uma prática em Florença, nem pensamos em sentar, mas houve muita confusão e bate boca por conta disso com outras pessoas que foram obrigadas a levantar. Uma senhora, muito brava, abandonou o seu pedido e foi embora.

Nós comemos no balcão: comi um tramezzino (2,50 euros), com um chocolate quente porque combina com o frio (3 euros) e um biscoitinho de apricot (0,30 cents de euro). Estava tudo gostoso, mas eu nem me atrevi a tirar uma foto, tamanha confusão do lugar.

A moda em fins do século XIX

A primeira sala de recepção e seus tons de vinho

Roupas de Antonella Florio - pianista do século XX
Fomos então para o Museu dos Costumes onde estavam expostos trajes de pessoas fashionistas de séculos passados. Como eu adoro moda, foi mais uma diversão descobrir o que esteve em voga em outros tempos.

Além disso, há ambientes montados como a primeira sala de recepção, linda, pesadíssima com seus tons fortes de vinho e vermelho, cujo afresco pintado no teto é maravilhoso. 

O Museu dos Costumes guarda um tesouro, que mesmo em estado de semi-decomposição, é sensacional e conseguiu sobreviver aos tempos e ao tempo: os trajes de Cosimo I, sua mulher Eleonora de Toledo e o filho deles Dom Garzia. 

Jardim de Boboli
Uma crítica ao Palazzo Pitti: a iluminação às vezes atrapalhava, e muito, ver os quadros, especialmente quando eles estavam expostos no topo das paredes. Perdemos os detalhes. Isso me irritou algumas vezes. Por mais que mudasse de ângulo, as minúcias, os pormenores me escapavam.

Ainda assim, foi uma visita incrível. O acervo é tão variado que cabe em qualquer paladar.

Depois de 6 horas visitando a área interna do Pitti, resolvemos aproveitar a luz do dia para conhecer o magnífico Jardim de Boboli e gastamos ali um bom par de horas. Conversa para outro dia.  

Horário de funcionamento do Pallazo Pitti:

Fechado as segundas, réveillon, natal  e 1 de maio.
Gratuito no primeiro domingo do mês.

Horário: das 08:15 as 18:50 – bilheteria fecha as 18:30.
O valor do ingresso depende do número de museus visitados:
  • Galleria d’Arte Moderna + Galleria Palatina + Appartamenti Reali =  € 16,00 
  • Musei degli Argenti + Giardino di Boboli + Museo del Costume + Museo delle Porcellane + Giardino Bardini =  € 13,00

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Si FECE Carne e Il BARGELLO, Florença:


A nossa manhã de sábado em Florença começou com uma visita ao ótimo Palazzo Davanzati, para conhecer um pouco de como vivia uma família abastada na Florença medieval, uma parada na Piazza della Signoria para um picolé e olhar o movimento que estava intenso, entrar na pequenina Chiesa Orsanmichele, caminhar até a Piazza della Santissima Annunziata onde está o Ospeadale degli Innocenti, o primeiro orfanato criado na Europa, com sua fachada cheia de bebês amarrados em lencois azuis. 

Cardápio escrito à mão

O Caffè Il Sole: cardápio exposto na fachada

Lasanha de carne e queijo

Almoço ao ar livre? Adoro!

Tiramisù
Fomos almoçar. Andamos sem rumo até que uma portinhola com poucas e apertadas mesas na entrada chamou nossa atenção. O Cafe Il Sole (Via Guelfa, 25) foi mais uma decisão gastronômica acertada, mais um lugar simples, com cardápio escrito à mão, atendimento simpático e comida básica e deliciosa 

Escolhi uma lasanha de carne e queijo (lasagne al ragu) e uma taça de vinho. De sobremesa, biquei o enorme tiramisù (muito bom) que Léo pediu. 

Basílica de San Lorenzo

O pátio da Basílica de San Lorenzo

A exposição temporária Si Fece Carne aconteceu no subsolo da Basílica de San Lorenzo
A Basílica de San Lorenzo era a igreja da família Medici: Brunelleschi a reconstruiu em estilo clássico renascentista e Michelangelo, quase 1 século depois, apresentou novos projetos para a fachada. Para entrar na igreja é necessário pagar.

Nosso objetivo em San Lorenzo, entretanto, era outro: visitar a exposição temporária Si Fece Carne (Ele foi feito carne), com diversos elementos sacros, de artistas variados, expostos. Como já mencionei aqui no blog outras vezes, uma cidade é viva e além dos seus pontos turísticos tradicionais, quase sempre tem alguma outra coisa acontecendo.

Sobre a exposição eu me perguntei: a arte conversa com a fé? Elementos contemporâneos contrastando com lápides do século XVIII e XIX nos colocam no limbo, na fronteira entre passado e presente onde as imagens conversam entre si, se entendem, se entrelaçam.

Identificamos elementos da fé católica facilmente por que constantemente olhamos para o passado da humanidade ou por que eles não mudaram ao longo dos dois milênios de história que nos separam das pessoas aqui enterradas? 

No final das contas não há nada de novo e, no entanto tudo parece novo. É fácil perceber quando se está no passado e quando estamos no presente, ainda que os elementos sejam repetidos constantemente.

No tempo que passei na Toscana tive a certeza de que a fé pode (e assim o faz) inspirar a arte e essa mostra temporária confirmou isso. 

Para entrarmos e sairmos da mostra nós passamos pelo túmulo de Donatello.

A praça do Duomo lotada no sábado

A orla do rio Arno movimentada no fim de tarde

As luzes deixam Florença incrível

Florença produz imagens que nunca cansam a vista ou a alma

Florença é bonita sob qualquer ângulo

Paleta de cores

Cenário soberbo

O entardecer em Florença

Sob o céu da Toscana

A parte alta de Florença ao fundo com a Ponte Vecchio na parte inferior
Fomos fazer hora passeando pela orla do Rio Arno, sem rumo, enquanto o dia ia dizendo adeus. A ideia era visitar o museu Il Bargello à noite. Sônia, do posto de informações turísticas, assim nos orientou. Então, enquanto a noite não chegava, nós andamos.

Eu sei, novamente. Fizemos isso inúmeras vezes, em horários distintos e eu meu apaixonei de novo e de novo e de novo e novamente e uma vez mais por Florença. Essa parte da cidade é repleta de encantamento, de beleza. As luzes naturais e depois as artificiais que incidem sobre a cidade, revelando o reflexo de sua arquitetura sobre o Arno formam um cenário soberbo.

Não sei por quanto tempo nós andamos, porque é fácil esquecer do tempo inserido naquele contexto. Sei que fomos para lá e para cá, nos misturamos aos turistas que faziam o mesmo que nós, aos moradores que voltavam do trabalho ou que estavam aproveitando o fim de semana, aos ciclistas e corredores que começavam suas atividades físicas do dia. Vimos o por do sol sob diversos ângulos antes de entrarmos no Il Bargello.

Il Bargello

Il Bargello

Oceano de Giambologna

Il Bargello

Manufaturas variadas expostas em diversas salas
Enfim a noite chegou e nos dirigimos à bilheteria e compramos os ingressos: eram 19:30. Uma senhora que limpava a sala nos ouviu falando, deu risada e ajustou nossa pronúncia a respeito do nome do museu. Mandou que repetíssemos como ela havia nos ensinado. Como bons alunos, rimos e falamos da forma correta. Agora vocês podem entrar, disse ela rindo mais uma vez!

O Bargello perde em importância apenas para a Galleria degli Uffizi: o acervo, disposto em dois andares, era muito maior do que eu pensava. Composto por maravilhosas esculturas renascentistas, de artistas famosos como Donatello, o museu abriga ainda uma coleção imensa de objetos, manufaturas diversas, de muitas nacionalidades, além da italiana, como a francesa, para todo uso, que retratam um pouco o dia a dia dos moradores antigos da cidade.

Pavimento do século XVI
Taça - arte toscana


Aldrava

Colheres de todo tipo do século XVI

Cosimo I de Benvenuto Cellini

Baco de Giambologna

Firenze vittoriosa su Pisa de Giambologna
Confesso que não dei conta de absorver tudo, algumas informações se perderam em minha mente, como bolhas de sabão, enquanto outras agarraram toda a minha atenção como as louças e os pavimentos ornamentados. Cálices e aldravas suntuosas. Colheres.

Já com as esculturas eu gastei um tempo enorme buscando olhar cada detalhe possível: elas eram enérgicas, vívidas. O retrato de Cosimo I, esculpido por Benvenuto Cellini, mostra toda a sua força: exatamente como eu o imaginava por tudo o que li a seu respeito. 

O Baco, de Giambologna parecia dançar. E ele era feito de bronze! Aliás, eu descobri este artista e me apaixonei. Sua Firenze vittoriosa su Pisa, comissionada pelo Salão dos Quinhentos para o casamento de Francesco de´Medici, é fabulosa. 

Baco de Michelangelo

Brutus de Michelangelo

O acervo do Il Bargello está disposto em dois andares 

Davi de Donatello

Davi de Donatello

Salões grandiosos do Il Bargello abrigam lindas esculturas renascentistas
O Baco de Michelangelo é mais pesado e menos serelepe que o de Donatelo. Parece mais com o Dionísio de meu imaginário. O Brutus dele, no entanto, me pareceu mais suave e bonito, diferente de como eu idealizo o militar romano, um dos assassinos de Júlio Cesar.  

Em relação ao personagem bíblico Davi, mais uma vez Donatello e Michelangelo tem visões distintas: até os momentos são diferentes. Donatello retrata o herói claramente depois da luta vencida, com Golias a seus pés, mas ainda assim ele parece mais delicado. Ou será relaxado em relação ao Davi de Michelangelo, que parece tenso com a batalha que está por vir e assim ganha uma aparência mais forte? Além do mais o Davi de Donatello está vestido.

Mas o artista também esculpiu um Davi nu, em bronze. O que surpreende é que este Davi parece ainda mais jovem e delicado.

Imagem antiga do Bargello

O pátio do Bargello

Il Bargello 

Os afrescos na Capela de Maria Madalena

O segundo andar do Bargello

Sensação de estar em um castelo sob o belo céu da Toscana

Il Bargello
Il Bargello é gelado
O edifício teve sua construção iniciada em 1255, em forma de fortaleza onde inicialmente funcionou a prefeitura: foi o primeiro palácio púbico de Florença. Posteriormente foi prisão e residência do comandante da polícia, il Bargello (o xerife), de onde vem o nome do museu.

Até 1786 execuções eram realizadas no pátio do Bargello, até que a pena de morte foi abolida e os instrumentos de tortura queimados no pátio. Na segunda metade do século XIX, foi inaugurado como museu. O prédio foi vítima de incêndios (1332), inundações (1333) e ataques (1378) sendo necessário restaurá-lo inúmeras vezes. 

Dentro do que foi possível, na restauração concluída em 1865, Fracesco Mazzei, o responsável, buscou manter a aparência original do Bargello, apagando as referências na infraestrutura de outros séculos. 

Na Capela de Maria Madalena, erguida em 1280 durante a expansão do prédio, encontramos restos de belos afrescos.    

Il Bargello é belíssimo e me senti em um castelo de verdade. A atmosfera noturna combinada com o clima gelado deu um ar ainda mais mágico, de pretérito, de antiguidade ao local. Não estava muito cheio e a tranquilidade com que pudemos correr as diversas salas, fez diferença na visita que teve um ar nostálgico, como se os fantasmas dos que aqui viveram antes de nós, estivessem nos acompanhando.

A mim pelo menos, aquele lugar pareceu extraordinário. Atualmente ele reflete apenas o lado bonito de sua existência, das fases de sua vida, que sobreviveram às lágrimas, ao sangue. Manteve apenas a beleza e os risos.

Nós permanecemos no Bargello por quase 3 horas e entre outros mil pensamentos, eu fiquei imaginando como as pessoas naquela época conseguiam suportar o frio. O predio é gelado!