quarta-feira, 22 de junho de 2016

PLANEJANDO a próxima VIAGEM:


Nós, Léo e eu, estamos sempre pensando em nossa próxima viagem. O mundo é grande demais, interessante demais. Sempre que possível, nós colocamos o pé na estrada. É nosso vício, nosso hobby e nosso prazer. O destino nem é o mais importante, o que queremos mesmo é conhecer lugares, culturas, ver arte, experimentar sabores, enfim, estar em movimento.

Eu adoro planejar uma viagem, quase tanto quanto viajar. Gosto de ir descobrindo os lugares através das pesquisas, do que outros viajantes contam, das imagens e fotografias. Gosto de decidir as datas, os meios de locomoção e de definir os meus principais pontos de interesse. Isso tudo me causa uma ansiedade gostosa.

O nosso marco zero é a compra das passagens: sempre buscamos promoções, pois o preço que pagamos pelas passagens é o valor inicial da viagem e pode determinar se ela será mais cara ou mais barata. Assim, depois de decidirmos que Junho seria uma boa época para passarmos uns dias fora por conta do São João no Nordeste, começamos nossas buscas. Estávamos em Fevereiro.

Passo 1: compra de passagens aéreas:


A única coisa determinada é que queríamos um país europeu ou asiático. O Léo está cadastrado no “Melhores Destinos” (site e app) e recebe mensagens que informam passagens em promoção e sempre que possível acessamos o Skyscanner (site que compara preços de passagens) para ver o que ele mostra. 

Uma vez encontradas passagens que nos atendam (preço X destino), vamos direto para o site da cia aérea para a compra.

Somente em Abril encontramos alguns destinos por um preço razoável. Não eram super promoções, mas estavam dentro daquilo que considero justo. Terminamos escolhendo a Alemanha, país que não conheço e que há tempos está em minha lista de países prioridade. A companhia aérea foi a alemã Condor

Passo 2 – definir as bases principais do roteiro:


Eu não costumo atravessar fronteiras internacionais, especialmente quando estou na Europa, pois acho que um país tem muito a oferecer com suas inúmeras regiões e cidades. Sendo assim, uma vez definido o país, começo a estuda-lo para escolher que locais quero visitar.

Dito isso, ficaríamos somente na Alemanha. Como teríamos apenas uma semana, a ideia era ficarmos em uma única cidade para não perdermos tempo com deslocamentos e tornar a viagem o mais barata possível: quanto mais deslocamentos, maior o custo.

Comecei a ler blogs, revistas e guias até que uma matéria na Viagem e Turismo de Dezembro/2014 chamou a minha atenção. Ela falava sobre Nuremberg e sua história com o nazismo. Era justamente isso que estava buscando! Uma cidade medieval conservada, repleta de histórias, pequena, com muita arte e culinária típica.

Durante essas pesquisas iniciais, me dei conta de que ali perto havia um Campo de Concentração, na cidade de Dachau. Li que era mais prático visita-lo desde Munique. Além disso, Léo encontrou uma meia maratona lá nessa mesma época. Pronto! Elementos suficientes para incluirmos um fim de semana em Munique no roteiro.

Roteiro definido: Nuremberg e Munique.


Passo 3 – comprar os deslocamentos internos:



Quando temos que estar na cidade em determinada data e horário, compramos os deslocamentos internos com antecedência, para não corrermos riscos. Aqui também pesquisamos o que os viajantes e guias dizem sobre a melhor forma de deslocamento dentro do país. 

Sendo assim, compramos os trechos Frankfurt (onde nosso voo pousava) – Nuremberg, Nuremberg – Munique (por causa da meia maratona) e por fim Munique – Frankfurt (de onde partia o nosso voo).

O trecho Munique – Dachau deixamos para comprar lá porque não sabemos ainda que dia nós visitaremos o Campo de Concentração e assim não engessamos a viagem além do estritamente necessário.

Utilizamos o site da Bahn, companhia de trens alemã, para tal. Uma vez efetuada a compra, imprimimos os vouchers para apresentarmos lá.

Sugiro alguns cuidados:

  • Ficar atento aos nomes das estações. Algumas cidades têm mais de uma estação de trem e já vi gente comprar para uma, ir parar em outra e perder o trem, precisando comprar novos bilhetes e mais caros;
  • Verificar se tem baldeação (conexão) e o tempo entre um trem e o outro. Às vezes é muito apertado e temos que correr mesmo, porque o trem não vai nos esperar;
  • Ter o voucher na mão para apresentar antes de entrar no trem, ou dentro dele;
  • Comprar com uma folga larga. Por exemplo, quando chego a uma cidade e do aeroporto mesmo já vou pegar o trem, compro um horário acima de 3 horas do momento previsto para o pouso do meu voo, contando que pode haver atrasos. Faço o mesmo quando tenho que pegar um voo: prefiro pegar o trem muitas horas antes e ficar ociosa no aeroporto do que perder o voo.

Passo 4 – reservar hotéis:


Para reservar os hotéis nas cidades que visitamos, a primeira coisa que fazemos é checar se tem unidades Ibis, da Rede Accor, na cidade. Em seguida, checamos se ele já faz parte do pool das unidades que estão reformadas e sua localização.

O Ibis em seu site mostra quais os pontos turísticos que estão próximos e a distância. Eu confronto com o que já sei sobre a cidade e assim escolhemos o hotel. Quando não há íbis eu recorro aos sites como Booking, Hoteis.com e TripAdvisor para escolher o de melhor/custo benefício.

Aliás, essa conta custo/benefício é que faz com que considere o Ibis como minha primeira opção de hospedagem sempre: localização + diária acessível + quartos padronizados no mundo todo. Gosto de saber o que vou encontrar.

Tanto em Nuremberg quanto em Munique a variedade de unidades do Ibis é imensa e estão localizados em diversos pontos de ambas as cidades e com valores distintos. Escolhemos e reservamos. O pagamento será feito lá. 

Passo 5 – buscar informações:



Uma das partes mais gostosas do planejamento de viagem: pesquisar! Aproveito-me de muitas fontes: guias impressos, revistas e blogs são os principais. Busco algum programa de tv que faça alguma referência ao destino e converso com amigos que já tenham visitado os locais. Qualquer informação é bem vinda.

Paralelo a isso, começo a ler livros sobre as cidades, sobre o país e escritos por autores locais, ainda que não seja especificamente da região que visitarei. Léo faz o mesmo e vamos trocando informações, ideias, aprendizados.

Para essa viagem à Alemanha eu li:

1 – Cozinha Venenosa de Silvia Bittencourt: um relato sobre a trajetória de Hitler até assumir o poder em 1933, através das manchetes do então jornal local Münchener Post, jornal de Munique que fazia forte oposição aos nazistas;

2 – Fique onde está e então corra de John Boyne história contada em primeira pessoa pelo pequeno Alfie sobre a ausência de seu pai, enviado para lutar na Primeira Guerra Mundial. Apesar de vermos os fatos através dos olhos de uma criança, percebemos que a guerra é uma coisa difícil de entender;

3 – A volta para casa de Bernhard Schlink que conta a busca de Peter por um suposto personagem nazista que lutou na Segunda Guerra. Apesar do final muito ruim, este livro tenta mostrar outros lados dos personagens deste momento hediondo da história da humanidade;

4 – A Segunda Guerra Mundial de Antony Beevor: muitas informações interessantes sobre a guerra, mas tem muitos detalhes técnicos e bélicos que tornam a leitura um pouco cansativa e muito lenta;

5 – Nada de novo no Front de Erich M. Remarque: um clássico alemão que nos leva até o front da primeira guerra mundial através na narrativa de Paul, um jovem soldado alemão que, segundo ele, quando estava começando a amar a vida teve que explodi-la e sua primeira profissão foi matar.

6 - O Nazista e o Psiquiatra de Jack El-Hai , onde só tive tempo de iniciar a leitura. O livro fala do tempo em que o psiquiatra Kelley entrevistou o Marechal do Reich Hermann Göring, quando ele foi capturado ao final da guerra e levado para a um centro de detenção em Luxemburgo, à espera do Julgamento de Nuremberg.

Já tinha lido muitos outros como O Menino do Pijama Listrado de John Boyne e o Leitor de Bernhard Schlink, entre alguns outros ao longo da vida. 

Passo 6 – comprar ingressos:

Conhecendo um pouco mais da cidade, já dá para saber se há necessidade ou recomendação de comprar com antecedência bilhetes para teatro, museu ou alguma outra coisa que esteja em minha lista de interesse.

Nesse caso, temos que decidir o dia e principalmente o horário. Para museus, por exemplo, gosto dos primeiros horários. Para as funções no teatro, prefiro as apresentações que comecem no início da noite.

Então basta entrar no site em questão, efetuar a compra e imprimir os vouchers.

Em Nuremberg eu não achei nenhuma ópera no período em que estaremos na cidade e nenhum ponto turístico tem recomendação de compra antecipada. 

Passo 7 – comprar dinheiro:


Eu costumo fazer um cálculo que uso como padrão para todas as minhas viagens podendo caber ajustes dependendo da situação financeira do momento: 100 dinheiros/dia, sendo que para as Américas eu geralmente levo dólar, assim como para a Ásia e costumo levar euro para Europa.

Vou observando a oscilação da moeda para comprar quando ela estiver em baixa, principalmente em tempos em que ela está muito valorizada em relação ao real. 

Passo 8 – comprar seguro de viagem:

Vou até uma agência de viagens, geralmente na semana de embarcar por que costumo perder as coisas e rapidinho, em menos de meia hora, saio de lá com meu seguro. Graças a Deus nunca precisei usar e espero nunca precisar. Tenho adquirido o Travel Ace Assistence.

Passo 9 – arrumar a mala:


Antes de começar a arrumar a mala eu costumo checar a temperatura, pois obviamente isso tem impacto direto no tipo de roupa que vou levar. Utilizo dois sites: o br.wheather e o yr.no.

Como minha mala costuma ser muito compacta, muito leve, pois levo bem poucas coisas, eu geralmente arrumo a bagagem no dia da viagem, já que os voos costumam decolar à noite. Não tenho muito stress com roupa e só levo o indispensável.

Passo 10: embarcar e ser feliz!



O recomendado para voos internacionais é chegar 2 horas antes, mas o ideal atualmente é chegar com 3 horas de antecedência para não correr riscos, pois as filas têm estado longas, mesmo as que são apenas para baggage drop-off, mas isso definitivamente não faz parte de minha vida de viajante.

Meu parceiro de viagem, amado, nunca, jamais, em tempo algum conseguiu chegar ao aeroporto com tanto tempo de antecedência. Sempre chegamos esbaforidos (ou pelo menos eu chego assim, porque ele sempre mantém a calma) e por milagre, e apenas por isso, nunca perdemos um voo. 

sábado, 18 de junho de 2016

A ARTE de Viajar:


Eu posso afirmar com muita convicção que sou uma viajante que se divide entre antes e depois dos 15 dias que passei no Japão.

Acho que antes mesmo de me entender por gente eu já viajava. Culpa de meus pais que gostavam de sair por aí, muitas vezes sem roteiro determinado, e sempre colocavam a mim e a minha irmã debaixo do braço e nos levavam com eles.

Eu cresci, fiz muitas outras viagens: com eles e com ouras pessoas até que encontrei Léo, meu companheiro de peregrinação pelo mundo, há anos, perfeito para mim, meu número. Ao longo de tantos anos com o pé na estrada, visitando tantas e distintas cidades, eu percebi que viajar é uma arte que se aprende viajando.

Viajar não deixa de ser um processo de autoconhecimento, de perceber aquilo que nos motiva, aquilo que buscamos e principalmente o impacto que sair de nossa zona de conforto nos causa. Precisei acumular muitos quilômetros para me transformar na viajante que sou hoje e minha linha divisória foi o Japão.

Cada viagem tem um lugar especial em meu álbum de memórias afetivas, pois cada uma teve seus encantos e particularidades, mas algumas são mais especiais que outras por diversas razões. Entretanto, os 15 dias que passei no Japão revolucionaram minha maneira de viajar. A razão? Sua cultura, absurdamente distinta da nossa.




Antes de viajar para a terra do sol nascente, eu era uma viajante ansiosa, acelerada, impaciente. Além disso, buscava essencialmente a beleza dos lugares.
  
O Japão mudou drasticamente meu ritmo: nessa viagem eu tive que reaprender a viajar, pois a comida em nada lembrava a nossa, nem mesmo as que os imigrantes japoneses servem por aqui. Tive que me adaptar, assim como em relação à comunicação, onde nosso alfabeto é diferente e nossos gestos não funcionam. Tive que reaprender a “falar”. Tudo isso demandava tempo e paciência.

No Japão aprendi a apreciar mais cada momento, viver mais cada lugar em vez de sair desesperada querendo conhecer todos os museus e pontos turísticos, porque tudo era tão incomum e distinto do que estava acostumada, que me perdia constantemente em contemplação: das pessoas, dos edifícios, das ruas, da dinâmica da cidade.

Eu descobri que um país é muito mais que seus highlights: é uma mescla de muitas coisas que formam a energia de um lugar e aprendi a ter olhos de ver.




Ficávamos horas pelas ruas olhando as pessoas, como se vestiam, como se comportavam: era tudo tão, mas tão diferente! Aqui devo dizer que eu também despertei a curiosidade deles, delas especialmente: eu era um ET, um ser completamente estranho com minha calça jeans, meus olhos claros e meus cabelos loiros.

Subi e desci as ruas de Kioto, Yokohama, Nagoya, Toyota e Tóquio vezes sem conta. Mais tarde, em outras cidades do mundo, essa coisa de caminhar sem rumo pelas ruas observando as pessoas, se tornaria um hábito.

Lutei valentemente para me adaptar àquela culinária de cores, sabores, aromas e texturas esquisitas. Não foi fácil! Foi uma verdadeira aventura gastronômica e experimentar os sabores de uma região tornou-se um vício.

Léo e eu somente comíamos em restaurantes que algum guia tivesse indicado, mas como achar as ruas japonesas, com aqueles caracteres que não nos diziam nada?!

Atualmente entramos em qualquer restaurante que nos atraia, que nos chame. Deixamos os sentidos nos guiarem, sem medos, sem receios. Queremos ser surpreendidos.

No Japão, eu tive que me reinventar para conseguir me comunicar: os idiomas que eu falava eles não entendiam e meus gestos, que eu considerava universais, não funcionavam. Quando eu relaxei algum tipo de magia aconteceu e simplesmente a comunicação fluiu.

Hoje, em qualquer lugar do mundo, sei que a língua não é um empecilho. De alguma forma nos adaptamos.

Em Takayama, durante uma visita a uma casa museu, a senhora que tomava conta do lugar, se aqueceu no fogo ao meu lado. Conversamos: eu falava em um português regido por minhas mãos e ela um japonês super comedido: discutimos o frio, a geografia de nossos países – mágica pura.

Isso sem falar na surpreendente arquitetura do país, onde o muito moderno convive em perfeita harmonia com o muito antigo, sem necessariamente ter como parâmetro a beleza. A partir daí comecei a perceber o quanto edifícios podem dizer de uma cidade, de sua história e de seus habitantes. Hoje meus olhos buscam por essa identidade.


Despi-me de preconceitos e de certezas: eu achava que conhecia a respeito do povo e culturas japonesas. Não conhecia e aceitei que nós turistas, nunca vamos conhecer profundamente uma cultura. Hoje, eu respeito outras formas de vida e acho a pluralidade dos mundos uma coisa fascinante. Não me atrevo mais a julgar ou criticar como cada povo escolheu viver.

Gastei tanto tempo com coisas pequenas como sentar em uma cafeteria em Takayama, tomando chá, comendo bolo e olhando a neve cair que já não tenho pressas, agonias, ansiedades quando estou com o pé na estrada. Procuro hoje sentir, viver, apreender: até hoje consigo lembrar-me do sabor e da textura macia do bolo e da temperatura muito quente do chá.

Hoje eu respeito meu tempo e meu relógio gira em outro ritmo, muito mais desacelerado, porque há muito que olhar e absorver, assimilar e internalizar.

Hoje eu passo um dia inteiro, inteirinho em um museu, sem me preocupar que não conseguirei ver todas as obras ali expostas, então simplesmente me deixo levar, entro em outra dimensão e vivo apenas o presente, o momento em que interajo com cada obra.

Hoje eu me divirto com as dificuldades, com as aventuras, com o diferente. Hoje eu não quero roteiro marcado, engessado. Hoje eu quero um pouco mais de liberdade.

Procuro observar e apreciar o que cada cidade que eu visito tem a oferecer. Hoje eu tenho olhos de ver, aprecio o que houver. Não quero ver tudo, mas o que vir, quero sentir, quero viver e quero guardar.

Hoje as minhas viagens são mais leves porque eu aceito o que uma cidade me oferece tão generosamente. Só não gosto de ficar presa no hotel ou dormindo em euros, dólares, reais.



O Japão me ensinou principalmente a colecionar experiências, a colecionar memórias. Isso teve impacto até em minha bagagem que hoje é leve, muito leve, com pouquíssimas roupas e outros objetos, apenas o indispensável, para que ela possa voltar cheia, repleta, de momentos, de lembranças, de sentimentos, pois é só isso que me importa hoje como viajante.

Eu sou uma colcha de retalhos e tenho colada em minha alma, como tatuagem, um pedacinho da energia de cada lugar que eu passei e só percebi isso depois de viajar pelo Japão. 

Quero acumular muitos, muitos quilômetros mais e sei que cada vez que coloco o pé na estrada, eu aprendo mais e mais sobre essa maravilhosa arte de viajar, torno-me uma pessoa diferente e agrego mais um fragmento do mundo ao que sou.

P.S. - Fragmentos desse texto foram publicados no blog Caminha Gente e o texto na íntegra está na rede de viajantes Dubbi.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Até QUALQUER HORA, Itália:

Estação de trem Roma Termini
Esperando o trem na Roma Termini com destino ao Aeroporto Fiumicino
No Leonardo da Vinci Express a saudade já era grande!
O Leonardo da Vinci Express

Chegamos ao Aeroporto Fiumicino
Depois de quase duas semanas na Toscana, era hora de voltar ao Brasil. Nosso voo saía de Roma (aeroporto Fiumicino) às 10:30 AM, com destino ao Brasil, com uma conexão de 2 horas em Madri, Espanha.

Tomamos um trem, o Leonardo da Vinci Express, cujos bilhetes compramos na hora, na estação de trem Roma Termini para o Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, também conhecido como Fiumicino. 

Sem assentos marcados ou bagageiros, colocamos as mochilas no corredor como vimos muitos outros viajantes fazerem. Há que se ter paciência para a todo instante tirar e colocar as mochilas para dar passagens às pessoas.

Apesar disso, e de o trem estar cheio, não presenciamos nenhum tipo de stress.

Desde a origem até o destino final voamos de Air Europa. Só retiramos as bagagens no Brasil. O trecho Roma – Madri foi cheio, mas foi tranquilo e durou 2,5 horas.

O voo Espanha – Brasil atrasou um pouco e saiu cheio, mas não lotado: havia poltronas vazias. Foi um dos piores voos de minha vida. Eu particularmente não gosto de voos diurnos, pois as pessoas ficam acordadas, mais barulhentas e à medida que vai passando o tempo, vão ficando mais inquietas e esquecem, ou fazem questão de ignorar, que estão em um espaço diminuto com muitas outras pessoas.

Assim, no supracitado voo, crianças corriam sem parar pelos corredores, gritando descontroladas. Pessoas conversavam em pé por todos os lados em tons de voz nada razoáveis.

Uma mãe achou que todos nós gostaríamos de compartilhar com seu filho vídeos da Galinha Pintadinha, (sejamos justos: só quem ama a famigerada galinha é quem tem filhos pequenos em casa), pois os colocou no tablet em altura máxima.

A tripulação conversava animadamente no fundo do avião.

As horas demoravam a passar, se arrastavam! Eu não conseguia ler com tamanho alvoroço e não havia entretenimento disponível.

A única coisa que valeu do voo foi que chegamos sãos e salvos em nosso destino final, com as bagagens carregadas de lembranças deliciosas. 

Mal pousei e confesso que já estava pensando quando ia colocar o pé na estrada novamente!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ROMA, parte II:


Como contei no texto anterior: Roma, parte I, nós começamos o nosso recorrido de uma tarde por Roma pelo Vaticano, seguido pelo Castelo Sant´Angelo, onde atravessamos a ponte de mesmo nome e fomos parar na Piazza del Popolo, sentindo a cidade, ouvindo seus ruídos, buscando experimentar a capital italiana, depois de termos passado duas semanas na Toscana. 

Piazza di Spagna com um pedaço da Fontana della Barcaccia

Dior e Prada em prédios antigos: pura elegância
Depois de deixarmos a Piazza del Popolo para trás, nossa próxima parada foi a Piazza di Spagna: superlotada. As ruas em seu entorno formam uma das áreas mais privilegiadas da cidade. No século XVIII era frequentada por um público múltiplo: aristocratas e artistas, escritores e compositores.

Dior e Prada tem lojas aqui e há um contraponto interessante entre a modernidade e alta qualidade das marcas e os prédios antigos, e de certa forma modestos, onde funcionam, sem no entanto haver confronto nessa disparidade, ao contrário, conferindo ainda mais elegância.

Tomamos um café na loja da Nespresso, o que pode parecer um sacrilégio diante do excepcional café italiano, mas eu queria experimentar os novos sabores limited edition da marca.

Havia três sabores novos e uma italiana que estava provando também, gentilmente, diante de minha indecisão, sugeriu um deles. Acatei, gostei e trocamos algumas impressões sobre o café. Uma curiosidade: mesmo na Nespresso eles tiram a medida do ristretto.

No centro da praça está a curiosa fonte barroca Fontana della Barcaccia de Bernini e em frente a ela fica a famosa escadaria de 135 degraus, construída no século XVIII e financiada pelos franceses. 

As ruas de Roma e seus detalhes

Fontana di Trevi

A Fontana di Trevi com Netuno e os Tritões no detalhe: um deles tenta domar um cavalo marinho enquanto o outro o conduz tranquilamente significando as diferentes condições do mar

A fonte e a multidão

Várias tentativas de fotos

Fontana di Trevi
Caminhando sempre, avançamos pelas ruas romanas tentando absorver a arquitetura local consumida pelos anos, opacas em sua maioria e chegamos a um dos símbolos da cidade, concluída em 1762: a Fontana di Trevi. Eu tinha muita vontade de vê-la ao vivo e em cores. 

A fonte foi um pesadelo! Em primeiro lugar quero atestar minha ignorância: achei que ela ficava no nível da rua e foi uma decepção vê-la abaixo.

Havia uma multidão tentando tirar fotos e chegar perto. Levamos mais ou menos 15 minutos parados, esperando uma brecha para conseguir descer. Depois, gastamos mais uns tantos minutos tentando uma foto que valesse à pena: foram vários cliques até desistirmos de uma boa foto. 

Com aquela quantidade de pessoas foi impossível para mim observar os detalhes da obra criada por Nicola Salvi, no século XVIII. A única coisa que consegui apreender foi a tonalidade de azul da água pouco comum e o contraste com o branco de Netuno, soberbo.

O Pantheon

Monumento a Vittorio Emanuele

Detalhes de Roma
Quando chegamos ao Pantheon, ponto de parada seguinte, o dia já estava no finzinho e a luz o deixou com uma atmosfera interessante, como se ele não fosse real, apenas uma miragem, apesar das sólidas colunas de sua fachada.

O templo a todos os deuses foi construído no século I. Aqui também havia muita gente.

Alcançamos o Monumento a Vittorio Emanuele, em homenagem ao primeiro imperador da Itália unificada, quando já era noite fechada. Mesmo assim ele se destacou imenso, na escuridão. Ao mesmo tempo em que ele me pareceu imponente com elementos claramente romanos, pareceu exagerado e despropositado, fora de lugar.

Sua construção, iniciada em fins do século XIX e concluída no início do XX, é cercada de controvérsia, uma vez que foi necessário destruir parte do Monte Capitolino, onde havia vestígios da Roma medieval, para dar lugar a ele. 

Fórum Romano

Fórum Romano

Fórum Romano
Ali perto está o Fórum Romano, aonde chegamos em seguida: mesmo com boa parte dele em ruínas, com iluminação precária e visto de fora, é impossível não perceber a grandiosidade e emanação de poder que vem daquelas estruturas milenares. 

No início da República havia prostíbulos ao lado do Senado e dos templos e barracas de comida, até que no século II a.C. decidiu-se dar ao Fórum uma aparência mais sóbria e séria. 

Durante a Renascença houve uma volta ao gosto pelo clássico e as ruínas do Fórum tornaram-se fonte de inspiração artística, mas somente a partir do século XVIII as escavações tornaram-se sistemáticas e continuam até hoje.

O Coliseu

O Coliseu

Protesto no Coliseu
Finalizamos nosso recorrido por Roma em frente a ele, um dos maiores ícones da cidade eterna, o maior anfiteatro da cidade, construído em 72 por Vespasiano, com capacidade para 55 mil pessoas, que eram distribuídas de acordo com a posição social: o Coliseu.

Em vez de parecer encolhido diante da escuridão, ele exibiu toda a imponência de quem não se perdeu na noite dos tempos.

Sim, ele é tudo o que dizem sobre ele e fiquei ali, parada, imaginando a energia, o alvoroço, a corrente elétrica que circulava entre as multidões que acorriam à arena para ver os sangrentos espetáculos promovidos pelos imperadores. E olhe que só o vimos por fora! 

Pizza Rustica
Depois de 7 horas andando sem parar, tentando internalizar um pedaço, uma nesga da capital italiana, eu estava exausta e faminta.

Em direção ao hotel, achamos um lugar muito simples, meio pé sujo, típico de centro de grandes cidades, que vendia pizza de metro, chamado Pizza Europa Rustica (28, Via Merulana, 00100).

A gente escolhia o tamanho, ele era pesado e gerava um valor. Paguei pouco mais de 1 euro, o atendimento foi excelente, a menina super simpática e tagarela e a pizza estava deliciosa.

Foi assim que nos despedimos da Itália. Confesso que no geral Roma me decepcionou, ou melhor dizendo, não atendeu às minhas expectativas. Credito isso ao fato de meu corpo estar na cidade, mas minha alma, mente e coração ainda estarem em Florença.

Saí de lá com uma única certeza: preciso voltar um dia para viver essa cidade de verdade, gastar alguns dias nela, sugar sua energia, construir experiências e lembranças. Um dia, com toda certeza, eu volto.

Arrivederci Roma!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

ROMA, parte I:

Desembarcamos em Roma no fim da manhã depois de termos passado duas semanas em Florença. Quando nós saímos da estação de trem Roma Termini eu tomei um choque: uma onda de caos me inundou.

Tudo em Roma era diferente de Florença: as cores, o ritmo, os sons, o clima. Era como se eu tivesse chegado a outro país. A sensação era de ter passado muitas horas no ar condicionado e de repente saísse para a rua em um dia de verão e recebesse aquela lufada de vento quente no rosto. Foi intensamente desconfortável e de cara eu antipatizei com a cidade. Imediatamente eu senti saudades da capital da Toscana: imensamente.

O trânsito em frente à Termini era caótico: buzinas para todo lado, com ônibus e carros atravancando a rua, pessoas passando entre os carros, uma velhinha xingando, o motorista do ônibus respondendo. Fiquei boquiaberta, estupefata com a cena. O que era aquilo?

Caminhamos até o hotel, fizemos check-in, deixamos as bagagens no quarto, fizemos um lanche no terminal de trens e metrôs e como só tínhamos uma tarde na cidade, resolvemos caminhar por ela sem entrar em nenhum lugar, ter um overview, e quem sabe mudar as minhas primeiras impressões negativas sobre essa cidade amada por muita gente?!

Estação de metrô 

A caminho do Vaticano

Conseguimos um mapa no hotel e decidimos que a primeira parada seria o Vaticano. Fomos até lá de metrô. A estação é a mesma de trens: Roma Termini. Compramos os bilhetes nas máquinas disponíveis na estação, em dinheiro.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi que ao lado de uma lanchonete, dentro da estação, havia partes de uma antiga muralha, como se fosse a coisa mais normal do mundo ela estar ali: ninguém, além de mim, parecia notar a incongruência daquela cena. 

Cenas do Vaticano

Basílica de São Pedo

Praça São Pedro

Praça São Marcos

Basílica de São Pedro e cadeiras arrumadas para o Jubileu da Misericórdia 

Panorâmica da Praça São Pedro
O Vaticano, capital da Igreja Católica, é o menor estado do mundo, soberano desde 1929, governado pelo papa. Aqui, São Pedro foi queimado e martirizado em 64 d.C.

Cerca de 500 pessoas vivem no Vaticano que possui alojamentos para funcionários e religiosos, além de correio, rádio, jornal, sistema judiciário, banco e até sua própria moeda.

A Praça de São Pedro, construída por Bernini no século XVII, estava preparada para o Jubileu da Misericórdia que começaria no dia seguinte. Inclusive havia certa tensão a respeito de possíveis ataques terroristas que, ainda bem, não aconteceram.

A fila para entrar na Basílica de São Pedro estava assustadoramente grande, mas como não tínhamos intenção alguma de visitá-la nesta viagem, seguimos para o centro da praça, onde havia muita gente circulando e tirando fotos, incluindo muitos brasileiros, mas não tinha a multidão que eu esperava.

A Basílica por fora, cuja construção teve participação de arquitetos do Renascimento, é de fato muito bonita, com suas colunas e janelas, incluindo a janela da biblioteca onde o papa abençoa os fieis reunidos na praça.

A praça, em formato circular cercada por imensas colunas e esculturas que pareciam vigiar a todos, não me impressionou. Ela possui fontes e belos postes de luz, mas não encontrei a imponência que esperava. 

Castel Sant´Angelo

Basílica de São Pedro desde o Castel Sant´Angelo

Castel Sant´Angelo e a Ponte de mesmo nome

A Ponte Sant´Angelo, seus arcos e os anjos de Bernini

Arte de rua nos arcos da Ponte Sant´Angelo

Vista da Ponte Vittorio Emanuele e das pistas de corrida e bicicleta 

Na Ponte Sant´Angelo
Andamos em direção ao Castel Sant´Angelo, com sua estrutura rotunda, surgido em 139 como mausoléu do imperador Adriano. Já teve várias funções como por exemplo, residência dos papas do Renascimento. No século XVI, durante o saque de Carlos V à Roma, centenas de pessoas viveram no castelo por meses. Atualmente é um museu que conta todas essas histórias.

Leva esse nome por conta de uma visão que o papa Gregório teve do arcanjo Miguel, enquanto rezava pelo fim da peste em Roma. 

Atravessamos a ponte Sant´Angelo, que cruza o rio Tibre e foi construída no século II pelo imperador Adriano. Já foi conhecida como Ponte de São Pedro, por ser utilizada por pedestres com destino a Basílica de São Pedro. No século XV, ela ruiu e precisou ser restaurada. No século XVI corpos de pessoas executadas eram exibidos aqui.

A ponte tem uma lindíssima tonalidade de cinza e é adornada com esculturas em toda sua extensão: os anjos de Bernini. Apoiada em arcos ela faz uma encantadora composição com o rio de tonalidade esverdeada.

Ao longo do rio há pistas de bicicleta e corrida: fiquei imaginando a delicia que não deve ser praticar esportes ali.  
Caminhando pela margem direita do rio Tibre

Sentindo Roma

Arquitetura às margens do rio Tibre

O Rio Tibre com a Basílica de São Pedro ao fundo
Fomos caminhando pela margem direita do rio, deixando o Vaticano e o Castel Sant´Angelo para trás. Durante alguns quilômetros a Basílica ainda era visível aos nossos olhos.

As árvores com tonalidades de outono estavam lindas e faziam um belo contraste com a arquitetura antiga e gasta da cidade, carregada com velhas cores desbotadas. 

Havia poucos transeuntes e o trânsito nessa parte estava menos intenso e menos barulhento: estava muito bom respirar o ar frio daquela tarde que apenas iniciava. 

Pelas ruas de Roma

Arquitetura gasta

Gelateria dei Gracchi

As igrejas gêmeas

A Porta del Popolo ao fundo
Acessamos a Piazza del Popolo através da Via dei Gracchi, onde paramos para tomar um sorvete na Gelateria dei Gracchi: delicioso! O melhor que tomei na Itália. Era um lugar pequeno, com apenas um banco colado à parede de cada lado do estabelecimento e uma jovem atendente que parecia querer estar em qualquer lugar do mundo, menos ali: saudades de Florença e dos florentinos.

Na Piazza del Popolo estão as igrejas gêmeas Santa Maria Montesanto e Santa Maria dei Miracoli, formando um conjunto arquitetônico muito interessante em composição com a praça que estava muito movimentada.

Por muitos anos foi palco de execuções públicas e aqui está a Porta del Popolo, uma das principais entradas da Roma do século XVII, criada por Bernini.

A parada seguinte foi a Piazza di Spagna, mas o resto da tarde eu conto em outro momento.