domingo, 31 de julho de 2016

IGREJAS em Nuremberg: MARTHAKIRCHE, Sankt KLARA e St. LORENZ, além de uma DELEGACIA de POLÍCIA, Alemanha:

Meu brezel e eu: café da manhã de quase todo dia
Mais um dia que começa em Nuremberg e lá estávamos nós, prontos para mais explorações e descobertas. Tudo se iniciou com um delicioso brezel de queijo emmental (ementada - 2 euros) no quiosque em frente ao Ibis, ao ar livre, em pé no meio da rua e do vai e vem de pessoas caminhando para seus afazeres diários. 

Marthakirche em obras
Fui em busca da Marthakirche, uma pequena igreja erguida no século XIV, localizada na Königstraße. Demorei um bom tempo para encontra-la porque ela fica recuada e perdida em meio a outras casas. Qual não foi minha enorme frustração quando vi andaimes e placas em frente a ela: estava em reforma e não pude nem ao menos apreciar sua fachada. 

Klarakirche

Klarakirche

Klarakirche
Continuei minha marcha, agora em direção à Igreja de Santa Clara (Klarakirche), localizada onde antes era o Convento da Ordem do Sagrado Coração no século XIII.

Aliás, sua localização é um atrativo à parte, pois ela está encravada em meio a bares e restaurantes na Königstraße, que é alegre e movimentada. Não está em local de destaque; é apenas mais um dos elementos daquela rua. Gosto dessa interação.

Eu achei esta uma linda igreja, com seus tons terrosos e sua estrutura baixa. Sua aparência me remeteu ao campo, às coisas singelas, simples, sem complicações. Infelizmente nós não entramos. Gostaria de ter visto além de sua bela fachada.

Em 1899 o convento foi demolido. Em 1945 a igreja foi gravemente ferida por bombardeios, mas foi restabelecida entre 48 e 53. 

Cenas da cidade: diversidade e respeito; cada um se veste como quer

Zeughaus
Viramos na HallPlatz em busca de um café expresso (2 euros) para acompanhar as nossas caminhadas. Assim nos deparamos com a Zeughaus, um prédio com aspecto curioso, parecendo perdido, deslocado, com um leve toque oriental por conta de suas torres, localizada na Pfannenschmiedsgasse 24.

O edifício é parte remanescente da antiga fortificação da cidade que ia até a Färberstraße. Era um edifício importante pois servia de ligação entre diversos armazéns da Cidade Imperial.

Desempenhou variadas funções ao longo de sua existência, entre elas, arsenal entre os séculos XVI e XVIII quando então Nuremberg já havia sido incorporada ao estado da Baviera e depósito de lúpulo até ser duramente bombardeado na Segunda Guerra Mundial e ser incendiado.

Desde que foi reconstruído em 1955, funciona como Delegacia de Polícia. 

St. Lorenz Kirche; brincadeiras geométricas

St. Lorenz Kirche

St. Lorenz Kirche

St. Lorenz Kirche e sua porta principal
Voltamos pela mesma HallPlatz em direção à Lorenzer Platz onde está a St. Lorenz Kirche, uma das mais importantes igrejas da cidade, quase onipresente, erguida entre os séculos XIII e XIV em estilo gótico.

Sua fronte tem um design interessante porque brinca com diversas formas geométricas que dão singularidade à sua fachada. O que primeiro chamou minha atenção foram as esculturas acima da porta de ferro contando histórias da vida de Jesus. 

Elas estão emolduradas por uma espécie de arco pontudo, trabalhado, compondo com a dureza da porta, que possui aldravas, um semblante pouco suave, vigoroso, muito atraente. 


St. Lorenz Kirche: o interior de perder o fôlego
St. Lorenz Kirche e suas belas colunas
St. Lorenz Kirche: beleza e detalhes
St. Lorenz Kirche: beleza, simplicidade em contraste com imponência
St. Lorenz Kirche 
St. Lorenz Kirche e os vitrais
St. Lorenz Kirche: histórias coloridas
St. Lorenz Kirche e os apóstolos 
St. Lorenz Kirche: a Anunciação paira sobre o altar
St. Lorenz Kirche: o altar
St. Lorenz Kirche: a Anunciação
Por dentro, St. Lorenz Kirche é um desses recintos que fazem com que percamos o fôlego. Pelo menos eu fiquei sem ar quando atravessei as suas fronteiras e me vi em meio àquele ambiente com altas colunas, em um corredor não muito largo, bancos de madeira e luzes que dançavam e brincavam formando sombras e sutilezas com os diversos personagens que habitam a igreja.

Apesar de suas sombras, ela não é escura ou sinistra, ao contrário eu poderia afirmar que é quase alegre, com seus vitrais coloridos ao fundo, apóstolos pendurados nas colunas, a Anunciação de Veit Stoss, suspensa sobre o altar, nos dando forte sensação de que estamos vendo (e ouvindo) o anjo Gabriel falando com a Virgem Maria. Eles estão cercados por 55 flores do rosário.


St. Lorenz Kirche: a Última Ceia - a arte por todo lado
St. Lorenz Kirche: toda a beleza do Tabernáculo
St. Lorenz Kirche: o Tabernáculo
St. Lorenz Kirche: o Tabernáculo e o autorretrato de seu criador ao lado direito da foto 
A mais interessante das obras de arte dispostas na igreja, em minha opinião, é o Tabernáculo de Adam Kraft, com forma de torre gótica mostrando cenas da paixão de Cristo. O artista imortalizou a ele mesmo e a seus ajudantes na parte inferior da imagem. É uma criação belíssima.

O artista teve uma vida tumultuada, tendo sido marcado publicamente com ferro quente acusado de falsificação de documentos. Recebeu indulto do Imperador Maximiliano I, mas logo depois foi expulso da cidade por ter se colocado contra a Reforma Protestante.

Morreu pouco depois de voltar para a cidade, sozinho e amargurado.


St. Lorenz Kirche bombardeada: as torres sobreviveram
A igreja foi, como quase tudo no centro histórico de Nuremberg, destruída durante bombardeios na Segunda Guerra, mas surpreendentemente as suas torres sobreviveram ilesas.

Do lado de fora da igreja, estava fazendo calor, mas dentro dela estava frio. 

Léo e Ana pelo mundo: Lorenzer Platz
Saímos novamente para a luz do dia e gastamos um bom tempo na Lorenzer Platz que tem muitos ingredientes de sedução. Conto logo, logo sobre essa charmosa praça, no próximo texto. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

AGNESBRÜCKE, praia artificial e Jantar em um CELEIRO secular (Mauthalle), Nuremberg, Alemanha:


Restaurantes, bares e as torres da Igreja St. Lorenz ao fundo.
Biblioteca da cidade com seu desenho incomum
O antigo e o novo convivem nessa área de Nuremberg
O dia começava a despedir-se em Nuremberg, o céu já mudava de cor, mas ainda havia luz e disposição para continuarmos explorando a cidade. Deixamos o Judengasse para trás e fomos parar na CineCittá, uma área mais moderninha, com complexo de cinema exibindo filmes em 3D, muitos bares e restaurantes.

Nessa área também está localizada a biblioteca da cidade com um desenho pouco comum. O que mais me chamou a atenção por aqui foi a mistura de moderno e antigo, do arrojado com o simples. 

As luzes do dia dizendo adeus, mudando as cores do rio Pegnitz. 
A formosa Agnesbrücke
Nuremberg é repleta de pontes: de muitos tipos e formatos, que ajudam os pedestres a atravessarem de um lado a outro do rio Pegnitz. As pontes adornam a cidade e contribuem para dar forma à paisagem urbana conferindo identidade e beleza a ela.

Beleza esta no entanto que não mostra traços de imponência ou majestade, ao contrário seu encanto vem justamente de seu ar despretensioso, relaxado, informal e precisamente por isso a cidade me pareceu tão atraente.

Eu não consegui descobrir a história ou o nome de todas as pontes que cruzamos, mas isso não diminuiu o meu interesse por elas. Uma das mais interessantes é a Agnesbrücke, de 1462, ganhando esse nome apenas em 1894, sendo reconstruída em pedra depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje ela é assim, forte e delicada como uma mulher.

Uma divertida praia artificial
Em determinado momento nos deixamos guiar por sons que pareciam ser de alguma festa e qual não foi a minha surpresa quando nos deparamos com uma praia: areia, sombreiros, barracas, espreguiçadeiras. Senti-me no Caribe. Só faltou o mar.

Havia acabado um jogo da Europa quando chegamos e as pessoas começavam a se dispersar enquanto outras continuavam por ali, com os pés preguiçosamente enfiados na areia, jogando conversa fora. O evento, chamado Verão na Cidade, iria durar até 24 de Julho. Achei divertido caminhar por aquele cenário. 

Ruínas da Katharinenkirche

Ruínas da Katharinenkirche

Ruínas da Katharinenkirche

Voltando para a Königstraße para jantarmos
Ainda deu tempo de passarmos pelas ruínas de Katharinenkirche, igreja de um antigo convento dominicano, construído no século XIII. Ficou conhecida por uma incrível biblioteca nos tempos medievais. Virou igreja Luterana quando aderiu ao movimento da Reforma Protestante.

Durante os séculos de sua existência foi palco de muitos atos culturais, ligados à óperas, artes em geral, além de encontros políticos em fins do século XIX e exibição de joias da coroa no período nacional-socialista.

A igreja é associada aos Meistersingers (Mestres Cantores), uma associação de cantores e poetas que ali se encontravam entre os séculos XVII e XVIII.

É destaque ainda no cenário da ópera de Richard Wagner chamada Die Meistersinger von Nürnberg (Os Mestres Cantores de Nuremberg), ópera em 4 atos que eu gostaria muito de assistir.

O personagem principal da ópera é Hans Sachs (1509 – 1576), um dos mais famosos artistas de Nuremberg. Ele criou mais de 6.000 obras entre canções, poemas, peças de teatro e comédias de carnaval.

O Carrossel do Casamento foi inspirado em um dos poemas do mestre cantor.

A Katharinenkirche foi completamente destruída durante bombardeio na Segunda Guerra Mundial e foi com seu esqueleto que nos deparamos. Atualmente é usada para concertos ao ar livre.

Infelizmente só pudemos vê-la por fora, mas deu para sentir seu tamanho e sua estrutura. Sua história e paredes de tijolinhos me ganharam completamente. 

Mautthalle

Mautthalle - antigo celeiro que hoje abriga lojas, restaurante e cafés

O restaurante Barfüßer

Barfüßer - decoração antiga e rústica

Barfüßer - Um grande salão no subsolo

Barfüßer

Barfüßer - uma cerveja para encerrar o dia

Barfüßer - Fränkischer Sauerbraten an Lebkuchensauce mit Rotkohl Kloß

Barfüßer - Fränkischer Sauerbraten an Lebkuchensauce mit Rotkohl Kloß

Barfüßer - cerveja escura e Sudhausgröschtl

Barfüßer - cardápio em inglês que facilita nossa vida
Encerramos nosso dia (maravilhoso) com um jantar em um celeiro secular, o Mautthalle na esquina da Königstraße com a Hallplatz. É uma gigantesca e charmosa estrutura que não passa despercebida, embora fique um pouco escondida pelas mesas colocadas ao ar livre em frente à sua entrada principal.

Foi um enorme celeiro construído entre os séculos XV e XVI, onde abrigava além dos grãos, os escritórios responsáveis pelos pesos e medidas das mercadorias e a Alfândega.

O mais interessante nesse grande edifício, ao lado de seu tamanho, é o telhado com suas inúmeras janelas. Eu o achei muito bonito.

Hoje, abriga lojas de departamento e cafeterias ao longo de sua extensão, além, claro do restaurante onde nós jantamos, o Barfüßer: um enorme salão, com luz amarelada, no subsolo. Decoração rústica, atendimento simpático e objetivo e cardápio bem alemão.

Eu escolhi um Fränkischer Sauerbraten an Lebkuchensauce mit Rotkohl Kloß que é na verdade um lombo muito parecido com o que se come no Brasil, com batata em forma de bolota e textura que desagradou o meu paladar e repolho roxo doce.

Um prato adocicado e farto. Custou 12,50 euros e mais 3 euros de gorjeta. Gostei muito do lugar, apesar de não ter apreciado a minha escolha. No entanto o cardápio tem certa variedade.

Léo escolheu Sudhausgröschtl um mexidão com ovos, bacon, batatas, verduras, cebola e carnes e adorou.

Assim, satisfeitos com tudo o que vimos e fizemos, concluímos o dia e voltamos para o Ibis para uma boa noite de sono.