domingo, 11 de junho de 2017

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:

Acho os mercados de uma cidade (não importa de que tipo eles sejam) uma fonte inestimável, e deliciosa, de investigação de hábitos locais. Além disso, eles podem salvar vidas, como aconteceu comigo no Japão, país de hábitos gastronômicos estranhos para o meu paladar. Assim que, foi uma felicidade encontrar um mercado para chamar de nosso em Quioto.

Foi comum vermos pessoas tomando café da manhã e jantando nos mercados. Pela manhã, geralmente passavam com pressa, saíam carregando a comida pelas ruas, enquanto à noite, mais tranquilos, comiam no próprio mercado.

Muito próximo ao nosso hotel achamos este mercado cujo nome nunca descobrimos, e o chamávamos simplesmente de K, por ser a única coisa que entendíamos de sua fachada. Sua estrutura era similar aos que encontramos no Brasil, mas a comida oferecida, bem diferente.

Não me lembro de ter visto frutas ou verduras in natura, apenas em conserva. Ouvi dizer que como o país tem poucas terras férteis e muita gente vivendo por lá, tudo é colocado em conserva para não haver desperdício de comida. Não à toa, frutas no Japão são caríssimas e tem status, muitas vezes, de joias.

Fomos a este mercado todos os dias, fosse para tomamos café da manhã, fosse para jantar e o ritual era sempre o mesmo.

Ao entrarmos, um sininho soava chamando a atenção dos funcionários, que imediatamente diziam, em japonês, alguma coisa que identificávamos como “bom dia” ou talvez “sejam bem vindos”. Respondíamos apenas com um leve cumprimento de cabeça.

Em seguida, levávamos cerca de meia hora fuçando as gôndolas, olhando as comidas, tentando decifrar algumas delas. Era divertido, devo dizer! Sentia-me constantemente como uma criança em lojas de brinquedos, de um lado a outro, encantada e divertida com as descobertas.

Como tudo estava escrito em japonês, sem qualquer tradução, tínhamos que nos guiar pela aparência para fazermos nossas escolhas. Uma vez feitas, pagávamos no caixa, onde éramos cumprimentados à moda japonesa e sempre me perguntavam se eu queria aquecer a comida e se desejava deixar a nota ali.

Eles perguntavam em japonês, eu respondia em português e não sei como, mas a gente se entendia muito bem. Talvez por não haver muito mistério nessa conversa básica, não saberia dizer, só sei que fluiu sem problemas.

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Massa japonesa: jantar

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Apreciando uma massa japonesa

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Opção de jantar: arroz grudento, ovo cozido e itens não descobertos. Doce de morango com feijão como recheio

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Pão com pasta de amendoim fechado a vácuo e café gelado

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Polvo em conserva
Para o café da manhã, geralmente eu escolhia um pão com ovo fechado a vácuo que identifiquei pelo ovo estampado na capa. A embalagem era transparente e pude ver a cara do pão. Embora não tivesse gosto de pão com ovo, eu gostei muito. Tanto que até tentei mudar de opção, mas terminei no pão com ovo constantemente.

Para acompanhar, café gelado da marca americana Mt. Rainier e, algumas vezes, uma espécie de bolo de rolo, sem recheio, mas fofinho e muito menos doce que os doces brasileiros.

Bem diferente de mim, Léo gosta de se aventurar por sabores estranhos e inusitados de comidas com aparência e texturas esquisitas. Assim, ele sempre escolhia doce de chá verde ou morango com feijão como recheio, por exemplo. Eu os achei muito ruins e ele adorou.

Ele comprou ainda polvo em conserva para petiscar e disse que não tinha gosto de nada e para jantar sempre comprava algo que tivesse o terrível e grudento arroz japonês, além de algumas coisas impossíveis de serem identificadas.

Ele nem sabia se o empanado de seu jantar em determinada noite era frango, peixe ou qualquer outro bicho. Se bem que em casos assim, o melhor é mesmo nem saber!

Uma vez me arrisquei em um suco de jasmim: tinha gosto de shampoo de camomila! Achei tão ruim que o abandonei. Para jantar geralmente eu escolhia as massas, as fininhas, saborosas, embora nunca tenha chegado perto de descobrir quais eram os acompanhamentos. Nunca encontrei nenhuma massa com molho.

Os valores das comidas eram ótimos. Baratos de verdade! Portanto, comida pronta, aquecida e barata, fica fácil de apaixonar. Por isso adotamos o mercadinho K. Um último detalhe: na compra da comida recebíamos hashi. Nada de garfo ou faca. 

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Um mercado para chamar de nosso em Quioto

sábado, 10 de junho de 2017

HAARLEM em Poucas Palavras, Holanda:

Haarlem em Poucas Palavras

Haarlem, na Holanda, é uma cidade adorável! Ademais, ela é escancaradamente, despudoradamente linda! Apesar de carregar em sua aparência as características típicas da Holanda, como os canais que a cortam, a encantadora arquitetura e as onipresentes bicicletas que circulam em todo canto, não se engane! Haarlem tem personalidade!

Capital financeira da Holanda do Norte, ela é a oitava maior cidade do país. Apesar de ter várias indústrias, Haarlem em nada lembra uma cidade industrial, bem ao contrário disso, ela é formosa e elegante. 

É possível chegar a Haarlem de trem, desde Amsterdam, saindo da Centraal Station, podendo comprar os bilhetes no mesmo dia da visita. Inclusive a Estação Central de Haarlem tem belo estilo Art Nouveau.

A seguir um resumo sobre o que ver nessa linda cidade.

Haarlem em Poucas Palavras:

Haarlem em Poucas Palavras
A casa de Corrie ten Boom (Corrie ten Boom Huis)

Corrie foi um sobrevivente dos campos de concentração da Alemanha nazi. Entretanto a história dela, e de sua família, é muito mais forte que sua própria sobrevivência, pois eles ajudaram muitos judeus a escaparem da tortura e da morte impingida pelos nacional-socialistas, escondendo-os em sua própria casa, antes que eles pudessem sair da Holanda.
É justamente esta casa que está aberta à visitação, com ingresso gratuito, onde podemos conhecer, não somente os detalhes dessa família corajosa, como ver onde os judeus eram escondidos. É uma visita forte e emocionante.
É uma visita guiada, que acontece em inglês e dutch e sugiro chegar cedo, nos primeiros horários, pois o acesso de pessoas é limitado.
Horário de funcionamento: 10 am – 4 pm de terça-feira a sábado entre os meses de Abril e Outubro. 11 am – 3 pm de terça a sábado entre os meses de Novembro e Março.

Endereço: Barteljorisstraat 19; Site: corrietenboom.com

Haarlem em Poucas Palavras
Grote Markt

Aqui bate o coração de Haarlem. Aos sábados e as segundas-feiras acontece o mercado de rua, a feira, onde muitos moradores fazem as suas compras. O Grote Markt mudou muito pouco ao longo dos séculos.

Onde hoje vemos pavimento de pedras, por exemplo, antigamente era de terra, pequenos detalhes que não mudam as paisagens que vemos retratadas nas pinturas de mestres como Gerrit Berckheype. 

Aqui encontramos belos prédios de antiga arquitetura como a igreja gótica, Grote Kerk, construída entre os séculos XIV e XV e o prédio da prefeitura – Stadhuis - que data do século XVII, tal e qual quando foram construídos. Isso tem ou não um enorme peso em nossa alma?!

Também no Grote Markt estão o Verweyhal (Museu de Arte Moderna), antigo clube de cavalheiros, construído no século XIX e o Vleeshal, local onde funcionava o mercado de carnes da cidade (Exibições temporárias e arte contemporânea) - século XVII. O prédio Hoofdwacht, do século XIII era onde a guarda civil se reunia. 

Muitos bares e restaurantes concluem a composição do Grote Markt. 

Haarlem em Poucas Palavras
A ponte levadiça vista de longe e por dentro

Haarlem em Poucas Palavras
O moinho De Adriaan

Ligando as duas margens do rio Spaarne, que já foi a veia principal da economia da cidade, está a ponte levadiça, exclusiva para ciclistas e pedestres, branquinha e charmosa, chamada Gravestenenbrug.

Um pouco além dela encontramos o Moinho De Adriaan (Molen De Adriaan), uma réplica do moinho original que pegou fogo no início do século XX e foi restaurado com dinheiro arrecadado em uma vaquinha entre os moradores. Hoje é um museu cuja visita nos explica sobre o seu funcionamento

Haarlem em Poucas Palavras
Brincando de virar obra de arte no Frans Hals Museum

Frans Hals viveu entre os anos de 1582 e 1666 e, portanto suas obras focam em sua interpretação das realidades do século XVII. O museu exibe a maior coleção de obras do artista no mundo.

O acervo é espetacular e seus quadros são maravilhosos, afinal ele viveu durante a Golden Age da arte holandesa. Para completar, uma linda casa seiscentista abriga o museu.

O ingresso custa 12,50 euros para visitantes acima de 24 anos. Gratuito para pessoas até 18 anos e 6 euros entre 18 e 24 anos. É possível comprar pela internet.

Onde Comer: 

Haarlem em Poucas Palavras
Grand Café Brinkmann - sanduíche de salmão

Haarlem em Poucas Palavras
Café Studio
A Holanda não tem identidade gastronômica mas os bares e restaurantes costumam fazer sanduíches maravilhosos e foi basicamente isso que consumi no país, com algumas exceções. 

Em Haarlem nós comemos em dois lugares, o Grand Café Brinkmann no Grote Markt 13 e o Café Studio, no Grote Markt 25. Ambos com bom atendimento e ambientes internos e externos. 

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Haarlem em Poucas Palavras

quinta-feira, 8 de junho de 2017

BILHETES para viajar nos TRENS SUÍÇOS:

bilhetes para viajar nos trens suíços

Em nossa viagem pela Suíça, cujo deslocamento foi todo feito nos trens da SBB-CFF-SFF (Caminhos de Ferro Federais da Suíça), nós compramos os bilhetes de trem de duas maneiras: pela internet pelo site da CFF e já na Suíça, nas estações ferroviárias. Como tudo o mais no país, foi fácil comprar bilhetes para viajar nos trens suíços. 

Compra antecipada – vantagens e desvantagens:


bilhetes para viajar nos trens suíços
Estação de Genebra - Genève Cornavin, a estação central
Nós tivemos cinco cidades-base na Suíça: Genebra, Berna, Zurique, Friburgo e Lausanne. As passagens de trens entre essas cidades, onde tínhamos reservas em hotéis, nós compramos pelo site, cuja compra foi muito tranquila e descomplicada.

É necessário fazer um cadastro no site da CBB-CFF-FSS e depois seguir o passo a passo. A vantagem de comprar com antecedência pela internet é a possibilidade de conseguir o supersaver, que é um tipo de bilhete que nos dá um desconto significativo sobre o valor total dos tíquetes, em torno de 50%. Qualquer forma de economia é bem vinda!

A desvantagem é que o bilhete da categoria supersaver, diferente dos outros tipos de bilhete não tem flexibilidade. Eles são para determinado trem em determinado horário. Não há devolução sob quaisquer circunstâncias. Tentamos trocar um dos bilhetes supersaver na loja da CFF em Genebra e não foi possível.

Apenas alguns assentos desta modalidade estão disponíveis, então é possível que em determinados trechos não encontremos bilhetes com desconto, mas nós conseguimos em todos os trechos adquiridos.

Os bilhetes que não são supersaver tem validade de 24 horas, começando e encerrando os dias sempre à meia-noite e não no momento da compra, para qualquer trem, em qualquer rota até o destino final escolhido. É ótimo, pois não engessamos o roteiro e podemos ir e vir da maneira mais conveniente. 

Passo a Passo na compra de bilhetes pelo site da SBB-CFF-SFF:


bilhetes para viajar nos trens suíços
Site da SBB-CFF-FSS - cadastro

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Site da SBB-CFF-FSS - no topo, a opção buy para iniciar a compra dos bilhetes

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Site da SBB-CFF-FSS - opções variadas. Utilizamos o individual tickets
Em primeiríssimo lugar é necessário fazer um cadastro. Feito isso, basta clicar no botão buy (caso o idioma escolhido tenha sido o inglês) ou o equivalente na língua definida.

Nesta página, referente à compra dos bilhetes, escolhemos a opção “individual tickets” e clicamos em seguida  no botão “next” (Pode-se marcar também a opção supersaver). É hora de escolhermos o trecho e a data. Lembrando que algumas cidades possuem mais de uma estação de trem e é preciso saber em que estação queremos embarcar/desembarcar.

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Site da SBB-CFF-FSS escolha de estação: há mais de uma estação em algumas cidades

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Site da SBB-CFF-FSS escolha de estação
Na parte francesa as estações centrais são as Gares, na parte alemã são os Hauptbahnhof e na italiana, as Stazione. Geralmente as estações centrais trazem apenas os nomes das cidades, como por exemplo, em Genebra aparece Genève, para a estação central e Genève-Aéroport para a estação que fica no aeroporto. 

Lembrando que as vendas on-line começam apenas 1 mês antes da data pretendida. Uma vez escolhidas as datas e o trecho, é só apertar o botão “next” mais uma vez. Aparecerão na tela as informações sobre sua escolha. 

bilhetes para viajar nos trens suíços
Site da SBB-CFF-FSS - informações na tela
Por padrão estará marcado segunda classe, que eu acho que é muito confortável e atende muito bem ao viajante.  Não percebi nenhuma diferença significativa entre as classes, além do valor do bilhete. 

Logo abaixo é possível ver o nome do passageiro e o local para acrescentar outros viajantes. Feito isso, marcamos a opção “No reduction” no campo Reduction.

O site vai mostrar a tarifa cheia, mas na página seguinte, referente ao pagamento, onde é necessário entrar com os dados do cartão de crédito, aparecerá o desconto e a informação de que está na categoria supersaver, caso esteja, naturalmente.

bilhetes para viajar nos trens suíços
voucher que imprimimos com nosso código de barra para apresentar ao ferromoço
O passo seguinte foi imprimir o voucher gerado como o código de barra e todas as informações referentes ao trem que mantivemos em mãos durante as viagens para apresentar ao ferromoço. 
Esta modalidade de bilhete de trem atendeu ao nosso modelo de viagem. Há outras maneiras de viajar pela Suíça de trem inclusive usando o Swiss-Pass, que depois de fazer muita conta concluímos que não nos atenderia. 

Bilhetes comprados na hora:


bilhetes para viajar nos trens suíços
Bilhete comprado na Oficina de Turismo de Berna com destino à Thun - compramos poucos minutos antes de embarcar

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Bilhete comprado na máquina em Genebra com destino a Nyon poucos minutos antes de embarcar
Há três maneiras de comprarmos os bilhetes de trem na hora: ou nas lojas da CFF que ficam nas estações de trem ou diretamente nas máquinas, cujo passo a passo também é muito simples. Entretanto, qualquer dificuldade é só pedir ajuda nas lojas CFF. O povo suíço é absurdamente solícito.

A terceira maneira é comprar nos postos de informações turísticas que ficam nas estações. Caso a estação não venda, encaminha o solicitante para a loja. De Berna para Thun nós compramos ida e volta. Neste caso a viagem de regresso poderia ser feita no máximo 9 dias após a viagem de ida, pois o trecho tinha menos de 115 km.

Nestas compras diretamente na estação quando já estávamos na Suíça, nós chegamos cedo à estação, vimos nos paineis quais os próximo trens para o destino e só então procedemos a compra.

Utilizamos a três maneiras e em nenhuma delas tivemos qualquer tipo de problema ou dificuldade. Pagamos todos os bilhetes em francos suíços, mas eles aceitam cartão de crédito. 

Uma vez dentro do trem o ferromoço pode solicitar o bilhete. Em nenhum momento nos foi pedido qualquer documento de identidade ou cartão de crédito (caso a compra tenha sido feita pela internet) no qual a compra foi efetuada, mas sempre os tínhamos em mãos. 

bilhetes para viajar nos trens suíços
No trem a caminho de Thun - conforto

bilhetes para viajar nos trens suíços
Trens suíços

bilhetes para viajar nos trens suíços
Na Suíça os paineis mostram toda a rota de cada trem
Os assentos, seja qual for o tipo de bilhete comprado, são sempre livres. Não é possível marca-los. O que é preciso ter cuidado na hora do embarque é entrar na classe referente ao bilhete comprado. 
Tantos os autofalantes, quando o trem está entrando na plataforma, quanto os paineis espalhados pelas mesmas anunciam quais são os vagões referentes a cada classe. 
Estes mesmos paineis estão disponíveis nas estações indicando o tipo de trem e os horários, além da plataforma de onde eles irão partir: gleis (alemão) e voie (francês). 
Uma peculiaridade suíça: os paineis informam toda a rota. Por exemplo: origem – Lausanne; destino – Lucerna; O trem em questão passa por Friburgo e Berna. Isso é ótimo, pois sabemos exatamente quantas paradas até nosso destino final que pode não ser o mesmo que a parada final do trem. 
Os trens para todas as cidades saem frequentemente. Nas lojas CFF é possível conseguir a timetable 

Comprar bilhetes para viajar nos trens suíços é muito simples e os trens são modernos e muito confortáveis e nos levam rapidamente até nosso destino final, atravessando belos cenários, bucólicos e muito charmosos, que vamos apreciando à medida que eles vão desfilando diante de nossas enormes janelas. 
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bilhetes para viajar nos trens suíços

terça-feira, 6 de junho de 2017

Os TRENS suíços:

Os TRENS suíços

Passamos 15 dias rodando pela Suíça e nosso deslocamento entre as cidades foi feito exclusivamente por trem. Alguns bilhetes nós compramos ainda no Brasil pelo site da companhia suíça de trens SBB-CFF-FSS (Caminhos de Ferro Federais da Suíça) e outros nós deixamos para comprar lá. Os trens suíços são modernos e novos.

Eu amo viajar de trem e utilizar esse meio de transporte para viajar pela Suíça é muito simples e muito fácil! O país é absurda e maravilhosamente descomplicado. O único inconveniente é que, como tudo o mais no país, os bilhetes de trem também são caros. 

Os TRENS suíços
Estação de trem de Nyon

Os TRENS suíços
Na plataforma da Genève Cornavin esperando o trem para Berna

Os TRENS suíços
De Berna para Zurique: conforto e belas paisagens diante de minha janela

Os TRENS suíços
Tomando café da manhã entre os trechos Friburgo - Gruyère

Os TRENS suíços
A Estação Central de Trens (Hauptbahnhof) de Zurique
Eu já cantei aos quatro ventos o quanto eu adoro viajar de trem. Gosto de tudo o que envolve essa viagem. A facilidade na compra dos bilhetes, o fato de não precisar fazer check-in e assim poder chegar à estação apenas 20 ou 30 minutos antes do embarque, o que significa para mim ganho de tempo.

Gosto do conforto que a maioria deles oferece e da comodidade de poder comer, escrever, ler e observar as paisagens enquanto o trem desliza pelos trilhos. Gosto ainda de espiar os outros passageiros, moradores daquelas cidades. Há certo romantismo nas viagens de trem.

Gosto do frisson das estações, do vai e vem frenético de pessoas e trens que rapidamente chegam e partem. As estações da Suíça, mesmo nas cidades menores, estavam sempre cheias de gente, de muitos tipos e muitos estilos. Gosto de olhar o caminhar rápido, lento ou dos que correm porque chegaram muito em cima da hora.

Gosto, e muito, de tomar café da manhã nas estações e as da Suíça estão cheias de mercados e cafeterias para muitos gostos e bolsos. Bem, aqui as coisas também não são baratas, mas nada neste país é. Enquanto tomo meu café preto e forte e como meu croissant, me sinto parte daquilo tudo e esse sentimento faz-me imensamente feliz.

Gosto da facilidade de acordar um dia, decidir que quero gastar as próximas horas em outra cidade, ir até a estação, comprar o bilhete, chegar na plataforma, embarcar e descobrir outro lugar, outra energia. Simples, fácil e rápido. Como não amar?!

Gosto ainda de voltar cansada de qualquer lugar, entrar em um mercado dentro da estação, comprar uma garrafa de vinho, uma comida pronta ou sanduíche, colocar debaixo do braço e comer confortavelmente no hotel


A Suíça, por ser um país pequeno, tem distâncias curtas entre cidades o que facilita e torna ainda mais agradável as viagens de trem pelo país. Por termos ficado apenas nas partes francesa e alemã, não pegamos nenhum trem com tempo superior a 1 hora e 45 minutos. Como viajante, tempo é meu artigo mais caro, pois ele é escasso.

Os TRENS suíços
Trecho Zurique - Friburgo: agrupamento de quatro poltronas

Os TRENS suíços
Bagageiro disposto no início do vagão no trecho Friburgo - Lausanne

Os TRENS suíços
Da Gare Cornavin (Estação Central de Trens) para o Aeroporto - Genebra
Os trens suíços são excelentes! Eles variam de estrutura e tamanho, mas não perdem o estilo prático e cômodo. Encontramos cadeiras em grupos de dois e de quatro poltronas, com mesa compartilhada, cujas cadeiras estão viradas umas para as outras. 

Em alguns trens os bagageiros acima das poltronas são ótimos, em outros eles são minúsculos, não cabendo malas ou mochilas. Nesses casos, os passageiros se viram como podem. Não vi nenhum tipo de stress, cara feia ou incômodo causado pelas malas dos passageiros, mesmo entre aqueles que viajavam sem bagagem.

Entretanto, é preciso ter em mente que trens são espaços apertados e que malas gigantescas podem atrapalhar, e muito, os outros viajantes, além de não ter espaço para acomodá-las. Um pouco de elegância e respeito ao próximo sempre caem bem. Além disso, os trens entram e saem das plataformas em questão de poucos minutos. Como ser célere com malas enormes?!

Isso sem contar que, com malas pesadas, como acomodá-las acima das poltronas?! A demora ou impossibilidade de fazê-lo pode tumultuar e congestionar os apertados corredores dos trens suíços. 

Há soluções para acomodar as bagagens nos trens cujos espaços acima de nossas poltronas são pequenos: nos bagageiros coletivos que estão disponíveis em uma das extremidades de cada vagão ou nas poltronas vagas, caso o trem esteja vazio ou ainda em nossos pés, caso não atrapalhe o passageiro em frente. Cabe ao bom senso, e tamanho da mala de cada um, a decisão.

Quando diante da necessidade de acomodar as malas e mochilas nos bagageiros dispostos no início de cada vagão, é sempre bom ficar de olho, pois furtos existem em qualquer lugar do mundo. 

Os trens suíços possuem tomadas, mesas e janelões que nos permitem seguirmos viagem apreciando as belíssimas paisagens do país que vão descortinando-se à medida que o trem avança. Tem wi-fi gratuito também, mas é preciso ter um número de celular válido para que seja enviado um sms com um código. 

Em todas as viagens que nós fizemos pela Suíça, os trens estavam vazios e não tivemos problema algum em conseguir poltronas. Os trens suíços possuem assentos livres: não é possível marca-los. Além disso, eles possuem primeira e segunda classe e não percebi nenhuma diferença significativa entre ambas a não ser a diferença de preço. 

Ao contrário do que li e escutei antes de voar para a Suíça, os trens suíços atrasam. Isso aconteceu mais de uma vez o que colocou em xeque a tão alardeada pontualidade do país. Entretanto, contudo, todavia, nenhum atraso foi superior a 5 minutos. 

Os TRENS suíços
Trecho Genève-Bern e o belíssimo Lac Léman

Trecho Berna - Thun

Os TRENS suíços
Um lindo lugar entre Zurique e Friburgo

Os TRENS suíços
Estou vendo um cavalo alado
O caminho entre as cidades é invariavelmente lindo! Assistimos de nossas janelas a belos cenários que muitas vezes eu custava a acreditar que fossem reais. Sentia-me constantemente prestes a entrar em um Conto de Fadas. Esperava a qualquer momento ver passar uma princesa ou um ser encantado em um cavalo alado.

Entretanto, diferente do que eu pensava, os cenários variavam ao longo dos diversos trechos por onde passamos. A arquitetura, as cores, a disposição das casas, tudo mudava à medida que o trem avançava, acumulando quilômetros sobre trilhos. Eu estava apaixonada!

No trecho Genève-Bern, eu estava tão maravilhada registrando tudo com minha máquina, que um senhor suíço que trabalhava em seu note, parou o que estava fazendo para me observar divertido. Ainda brincou comigo quando deixamos o Lac Lèman para trás.

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Os trens suíços

domingo, 4 de junho de 2017

QUIOTO, a cidade IMPERIAL Japão:

KYOTO, a cidade IMPERIAL

Nós chegamos em Quioto, a cidade imperial, de trem (usando o Japan Rail Pass). Foi nossa primeira parada na terra do sol nascente e foi aqui que começamos a descobrir o Japão, esse país tão diferente do Brasil em absolutamente tudo. Foi um longo e cansativo caminho.

Quioto foi a capital do Japão por mais de 1.000 anos, de 794 até 1868, quando Tóquio então, tomou seu lugar. Durante esse tempo, a cidade foi um depósito de arte e cultura. As belezas produzidas em Quioto resistiram (ou foram reconstruídas) aos inúmeros incêndios e terremotos que destruíram Quioto incontáveis vezes.

A cidade sobreviveu ainda a Guerra de Onin, uma guerra civil que durou 10 anos no século XV, resultado da disputa de poder entre duas das mais influentes famílias militares (Xongunatos) da época: Hosokawa e os Yamana. Milhares de pessoas morreram nesta guerra civil e a cidade de Quioto ficou arrasada.

Curiosidades: as armas de fogo foram introduzidas no país pelos portugueses, no século XVI. Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos cogitaram bombardear Quioto, mas desistiram.

Os famosos Samurais foram peças fundamentais na guerra. Eles surgiram em Quioto no século IX e possuíam códigos rígidos de comportamento, parte deles inspirados pelo zen-budismo, que incluíam rituais de suicídio. Até hoje a cidade é considerada a terra dos Samurais. 

Quando chegamos a temperatura estava em torno dos 3 ou 4 graus. Estava friozinho. Era fim do outono e as cores da natureza estavam maravilhosas.

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Estação de Trem de Kyoto

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Estação de Trem de Kyoto
A estação de trem de Kyoto é absurdamente movimentada e muitos andares a compõe. O trânsito de pessoas é intenso e não só de viajantes chegando e partindo. Na estação há tantas lojas, livrarias, lanchonetes e restaurantes que muita gente a frequenta para fins diversos.

Inclusive aqui há um posto de informação turística e foi dele que obtivemos informações sobre como chegar ao hotel onde estávamos hospedados: o Karasuma Kyoto Hotel. Apesar de cansados e da baixa temperatura, preferimos caminhar até lá, pois distava menos de 2 quilômetros e assim aproveitamos para já ir observando a cidade imperial.


Quioto, de inspiração chinesa é cercada por montanhas por três lados e é cortada de norte a sul pelo rio Kamo. Quando a população aumentou significativamente, a higiene virou um problema, especialmente quando o rio transbordava, contribuindo para a propagação de doenças como a peste.

Costuma-se afirmar que o Japão tradicional reside em Quioto. A cidade tem uma elegância natural, mas ao mesmo tempo ela é jovial e tem fortes traços de modernidade. Mesmo quando a família imperial esteve isolada politicamente, e o país estava sendo governado pelos Xogunatos, Quioto permaneceu centro cultural e religioso.

A maioria dos elementos que encontramos na cidade atualmente data do período Edo, entre os séculos XVII e XIX, quando o Japão foi governado pelos Xoguns da família Tokugawa.

Quioto é um exemplo de mistura do antigo com o moderno, onde lojas caras com roupas nupérrimas convivem com mulheres vestidas de quimono. Kyoto é uma cidade cheia de charme e mais uma vez acertamos em começar a viagem pelo interior. 

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Mercado ao lado do Karasuma Kyoto Hotel

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Com a comida comprada no mercado - Kyoto

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Jantar comprado no mercado - massa

KYOTO, a cidade IMPERIAL
Jantando. As olheiras batendo no pé
Teria sido uma caminhada muito agradável, da estação de trem até o Karasuma Kyoto Hotel, com o vento frio no rosto, mas depois de tantas horas de voo e de trem, sem dormir em nenhum momento, viajando há quase dois dias, não estava exatamente apreciando aquela caminhada.

Só queria mesmo descarregar minha mochila no quarto do hotel e começar a entrar no fuso. Já era fim de tarde em Quioto.

Fizemos o check-in no hotel e logo em seguida fomos ao mercado localizado uma esquina depois, onde compramos comida pronta para jantarmos no hotel. Depois disso tomamos um banho e caímos podres na cama.

Nessa noite eu ainda acordei na madrugada e demorei um pouco para retomar o sono, por conta do fuso de 24 horas, mas dessa vez achei mais fácil a adaptação do que nos países em que diferença é de apenas 3 ou 4 horas. 

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Quioto, a cidade imperial