sábado, 25 de março de 2017

Viajando de TREM pela RENÂNIA do Norte-Vestfália, Alemanha:

Como se deslocar na Alemanha

Roteiro definido: passaríamos 15 dias viajando pela Renânia do Norte-Vestfália na Alemanha e o deslocamento entre as cidades seria feito de trem. Acredito que enriquecemos muito uma viagem quando nos atemos a apenas uma região. Além disso, ganhamos tempo, pois as distâncias entre as localidades são mais curtas e o custo tende a ser mais barato. 

Como já tínhamos todas as datas definidas, compramos os bilhetes ainda no Brasil, diretamente pelo site da Bahn, a companhia ferroviária alemã (Deutsche Bahn – DB). O site tem a opção em inglês e o passo a passo foi simples.

Como se deslocar na Alemanha
Estação de trem de Frankfurt

Trem na Alemanha
Estação de trem de Frankfurt

Trem na Alemanha
Estação de Trem de Frankfurt - comendo enquanto esperamos o próximo trem
O nosso voo com a Condor pousava em Frankfurt, mas não visitaríamos a cidade, sendo Colônia nosso destino final. Em seguida viajaríamos para Münster, Düsseldorf e Bonn, encerrando a viagem. Entretanto, como nosso voo de volta partiria de Frankfurt, mais um trecho de trem foi incluído.

Apenas para o bate/volta que fizemos para Aachen desde Colônia compramos os bilhetes de trem na hora, na Estação Central de Colônia.

Na estação de trem Fernbahnhof, localizada ali mesmo onde pousamos, no aeroporto Frankfurt am Main, tomamos o trem para Colônia. Geralmente compramos os bilhetes com uma folga de três horas a partir da previsão de pouso do avião para evitar a perda do trem em caso de atraso.

Dessa vez nosso voo atrasou a saída do Brasil em mais de 4 horas por conta de uma suspeita de ataque terrorista no aeroporto de Frankfurt, fazendo com que perdêssemos os bilhetes originais. Entretanto a Condor honradamente nos deu novos tíquetes. 

Trem na Alemanha
Site da Bahn

Trem na Alemanha
Bilhetes comprados on line - devem ser impressos

Trem na Alemanha
Luminoso acima das poltronas indicando que o assento 31 está reservado no trecho entre Flugh e Colônia; o assento 33 entretanto, está livre
No ato da compra on line, decidimos por assentos lado a lado (opção open saloon), mas havia a opção open saloon with table que são as poltronas que compartilham uma mesa: dois de um lado e dois de outro, com um par viajando de costas.

Pagamos 4,50 euros cada um para podermos marcar os assentos, pois não sabíamos a lotação do trem e, com bagagem, não queríamos ficar mudando de poltrona a cada parada - que podem ser várias até o destino final.

Para quem prefere não marcar assento, deve atentar para o luminoso em cima de cada poltrona que mostra até que trecho aquele assento está marcado.

Nosso passaporte não é aceito como documento de identificação pelo site da Bahn; no momento em que o sistema o pede nós ignoramos e selecionamos o cartão de crédito que efetuará a compra.

Com o processo finalizado, os tickets online serão enviados por e-mail e basta imprimir.

Ninguém cobra os bilhetes na entrada do trem, mas, durante a viagem, o fiscal os solicita e devemos apresentá-los junto com o cartão de crédito que efetivamos a compra.


Outro item de fundamental importância no momento da compra de passagens de trem é saber exatamente o nome da estação de onde queremos partir e em qual queremos chegar, porque muitas cidades têm mais de uma estação de trem. 

Trem na Alemanha
Painel com informações sobre o trem: o que está parado na plataforma de número 714 com destino a Dortmund. Pegamos o de num 200 com destino a Colônia (Köln).  

Trem na Alemanha
Buscando informações sobre nosso trem

Trem na Alemanha
Informações sobre os trens: fica claro pela imagem a diferença dos tamanhos dos trens

Trem na Alemanha
Informações sobre os trens: fica claro pela imagem a diferença dos tamanhos dos trens
Nas estações encontramos expostos paineis com informações referentes ao trem, como o posicionamento na plataforma do carro em que viajaríamos (numero do vagão contido no bilhete) para que na hora que ele chegasse já estivéssemos posicionados, uma vez que a parada costuma ser rápida.

Aqui é preciso ficar atento a um detalhe: trens diferentes fazem a mesma rota no mesmo horário em dias da semana distintos.

Por exemplo: se vagão for de número 23, verifique sua posição no mapa no dia em questão. Ali está indicado que ele se posicionará na praça B porque na segunda-feira o trem é maior. O que fazia a mesma rota em outros dias da semana era menor e, portanto os posicionamentos dos vagões na plataforma eram outros.

É necessário observar as informações sobre seu trem nos mostradores que ficam posicionados nos alto: seu destino pode ser antes do ponto final, mas geralmente somente a última estação é mostrada. Por isso, é interessante atentar ao número do trem e não ao nome da estação onde vamos descer. 

Por exemplo: se o trem vai de Düsseldorf para Bonn e há uma parada em Colônia, o mostrador possivelmente exibirá Bonn ao lado do número do trem e não Colônia. 

Na mesma plataforma passam diversos trens. A informação sobre o que está parado naquele momento está disponível nesses mesmos painéis posicionados no alto. Muitas vezes trens para os mesmos destinos têm diferenças de poucos minutos. 

Os novos bilhetes que a Condor nos forneceu nos dava direito a viajar em qualquer trem para qualquer destino dentro do território alemão, o que significava que não tínhamos mais assentos marcados ou vagões determinados. Pudemos escolher onde sentar, respeitando os luminosos indicando os que estavam reservados. 

Trem na Alemanha
Apreciando a paisagem da Renânia do Norte-Vestfália

Trem na Alemanha
Bagageiros acima dos assentos

Trem na Alemanha
Trem da Bahn: confortável
Facilidades que encontramos nos confortáveis trens alemães: tomadas para carregarmos os celulares e bagageiros acima das poltronas. Aqui, uma ressalva para quem gosta de viajar com malas enormes: o espaço é limitado e o tempo entre subidas e descidas é rápido, o que requer agilidade.

Vimos duas japonesinhas passando sufoco e irritando os alemães com suas enormes bagagens que mais pareciam pequenos armários de tão grandes.

Há banheiros disponíveis nas extremidades dos vagões. Um funcionário da companhia passa vendendo café e lanches rápidos. Eu prefiro sempre comprar na estação e levar a bordo, pois os valores costumam ser melhores. 

Lembro ainda que os trens na Alemanha costumam ser pontuais.

Trem na Alemanha
Confortavelmente instalada

Trem na Alemanha
Uma manhã em que trens da Bahn tiveram problema

Trem na Alemanha
Viajando em pé - trem lotado

Trem na Alemanha
Outra opção para acomodação de bagagens: espaços na extremidades dos vagões. Podem ocorrer furtos por isso vi pessoas amarrando as bagagens com cadeados de bicicleta. Estão quase sempre cheios.
Reforçando que dependendo do horário e do trecho os trens podem variar de tamanho e formato, além de quantidade de pessoas viajando, portanto bagagens enormes podem dificultar, e muito, a vida de um viajante de trem alemão. 

Apesar de os trens serem a minha opção primeira e preferida de deslocamento sempre, problemas podem acontecer, a exemplo do dia que saímos de Düsseldof em direção a Bonn.
Devido a alguma coisa que não conseguimos identificar o que era, muitos trens não chegaram à estação, superlotando os que conseguiram entrar na plataforma. Inúmeros trabalhadores, estudantes e turistas, educadamente, se espremeram para entrar nos trens. Léo e eu tivemos que viajar em pé e acomodar nossas bagagens em um cantinho.
A razão disso foi que na véspera, devolvemos nossos bilhetes comprados no Brasil, recebemos reembolso e compramos novas passagens ligeiramente mais caras, pois mudamos de ideia a respeito do horário de saída de Düsseldorf. Não tínhamos, portanto, assentos marcados.
Esse, como a maioria dos trens que pegamos estava com quase todos os assentos ocupados e reservados, obrigando muitos passageiros a viajar de pé, o que não considero um problema se a viagem é curta.
Nesse dia, a maioria das pessoas desceu em Colônia, onde havia uma parada. Nós então sentamos em um par de poltronas cujo sinal luminoso estava apagado. Logo subiu um grupo de alemães, donos dos assentos. Apontamos o luminoso que indicava que não estavam reservados.
Ficamos sabendo, então, que eles não estavam funcionando e notamos que, de fato, naquele vagão não havia nenhum aceso. 
Cedemos os lugares, claro, e ouvimos de um dos senhores do grupo: não se preocupem, a Alemanha funciona muito mal. Eu dei risada e quase o convido a visitar o Brasil para ele entender o que é funcionar mal de verdade. 

sábado, 11 de março de 2017

VENEZA em Poucas PALAVRAS:

O que ver em Veneza

Fundada no século V, Veneza é, sem dúvida alguma, uma das cidades mais interessantes do mundo. Até seu formato é incomum: vista de cima, ela tem a aparência de um peixe, com a calda voltada para leste.
Veneza nasceu graças aos bárbaros invasores que a tudo destruíam por onde passavam, séculos e séculos atrás. O povo do Vêneto então fugiu em busca de um refúgio seguro, chegando à região que hoje conhecemos como Veneza.
Contudo, esta não era uma região muito fácil de ser habitada por conta de sua formação: um conjunto de pequenas ilhas que se erguiam nas regiões pantanosas da costa.
O que ver em Veneza


O que ver em Veneza
As pessoas começaram então a construir palafitas e assim foi surgindo Veneza, constituída por ilhas, pontes e canais. 

São 118 pequenas ilhas ligadas por 416 pontes, sendo 300 construídas em pedra e as outras em ferro ou madeira e divididas por 177 canais grandes e pequenos.

Veneza possui 6 distritos, 3 em cada margem do Gran Canale: Castello, San Marco e Cannaregio de um lado e San Polo, Santa Croce e Dorsoduro do outro.

Com o passar do tempo, Veneza tornou-se forte e poderosa, dominando os mares do mundo com suas naus, comercializando com muitos países, próximos e mais distantes.

Quem administrava Veneza era o Doge, governador e comandante do exército de navios. Ele derrotou piratas e conquistou novas terras e riquezas transformando-as em magníficos palácios, pontes e igrejas.

O leão alado é o símbolo da cidade e representa São Marcos, padroeiro de Veneza. Ele é onipresente e pode ser encontrado em esculturas, bandeiras, emblemas e moedas. 


Deslocamento em Veneza:

Obviamente por aqui não passa carro e os meios mais comuns de deslocamento são: nossos preciosos pés e os vaporettos: o busão de Veneza.

Para quem desembarca na estação de trem Santa Lucia, verá próximo à saída um Posto de Informação Turística. É bom passar lá para saber um pouco sobre o funcionamento dessa inusitada cidade e dos vaporettos, além de qualquer outra informação útil.

Aproveite para comprar o bilhete do vaporetto que vai te levar ao seu hotel, caso ele não esteja nas proximidades da estação, além de perguntar em que ponto deve saltar. 

Ao entrar na embarcação, muito cuidado com as malas: ela costuma seguir lotada e todo cuidado é pouco para não incomodar os outros passageiros, muitos deles a caminho dos seus afazeres do dia a dia.

O bilhete simples, em sentido único, válido por 1 hora custa 7,50 euros e permite desembarcar e reembarcar quantas vezes quiser dentro do tempo de 60 minutos. Há também bilhetes de 24, 48 e 72 horas. É necessário validar o tíquete antes de todo embarque.


As linhas normais funcionam de 5 AM até meia – noite, mas há linhas que funcionam na madrugada, espaçadamente. 

Algumas joias de Veneza:

Gran Canale: a primeira vista de Veneza
Gran Canale: 

Chegar em Veneza de trem, na estação Santa Lucia, é uma dessas experiências estupendas, marcantes. 


Saímos da estação, atravessamos a estrutura que a limita e damos de cara com o Gran Canale: é para perder o fôlego diante daquele cenário.
Estação Santa Lucia  e o Gran Canale em Veneza

O Canal Grande é a via principal de Veneza e por ele passam vaporettos, barcos e gôndolas transportando pessoas e mercadorias. 

O canal tem a forma de um “S” invertido com 3,8 quilômetros de comprimento e apenas 5 metros de profundidade.

Quatro pontes o atravessam: Constituzione (Constituiçao), novinha em folha, construída em 2008, Scalzi (Descalços), localizada perto da estação de trem, Rialto, a mais antiga e talvez a mais charmosa e famosa da cidade e por fim, dell´Accademia, erigida no século XIX.


A Piazza San Marco: aqui bate o coração de Veneza


Piazza San Marco: 

definitivamente aqui bate o coração de Veneza! 

Muitos pombos e turistas disputam cada centímetro dessa praça que está quase sempre muito movimentada. A Piazza San Marco é margeada por elegantes cafés e restaurantes, além de lojas. 

É o centro da vida na cidade, desde sempre, e o local onde tudo acontece: festa, procissão...  

Ademais essa praça, símbolo e cartão postal de Veneza, abriga prédios importantes e imponentes da cidade como a Basilica di San Marco, il Palazzo Ducale, il Campanile e la Torre dell´Orologio

Basílica São Marcos
Basílica di San Marco:

A influência bizantina confere a essa igreja uma aparência muito particular e encantadora.

A Basílica de São Marcos começou a ser construída no século XI, sendo que neste local outras igrejas, destruídas ou queimadas, já haviam sido erguidas em séculos anteriores.

No curso dos anos, décadas e séculos a Basílica foi sendo reformada, ajustada e ornada com impressionantes objetos preciosos e obras de arte.

O altar-mor, supostamente, abriga os restos mortais de San Marco, martirizado no Egito e levado a Veneza por mercadores desde Alexandria lá pelo século IX. 

Seu formato é de uma cruz grega e é composta por cinco cúpulas, colunas e colunatas, mármores, mosaicos, estátuas, detalhes em bronze e dourado, quatro cavalos e acima dos cavalos, todo em ouro, o Leão de São Marcos, o símbolo da cidade. 

Os cavalos que adornam a fachada da Basílica são réplicas dos originais que foram trazidos para Veneza como espólio da guerra contra Constantinopla. Os verdadeiros podem ser vistos no Museo della Basilica. 

Sugestão: chegue cedo, no primeiro horário para visitar a basílica, cujo acesso é gratuito. Ao longo do dia, pessoas e mais pessoas chegam para passar o dia em Veneza e essa parte da cidade fica lotada, o que se traduz em uma fila gigantesca para entrar em San Marco. Abre diariamente das 09:45 às 17:00.

Palazzo Ducale:


Palazzo Ducale em toda a sua glória
Sede do governo de Veneza e onde vivia o Doge, governador da cidade. Quando ele foi construído, lá pelo século VIII, parecia mesmo um palácio, com torres e até um fosso.

Só que uns 700 anos atrás mais ou menos, ele pegou fogo e foi então reconstruído com a cara (linda) que vemos hoje, que não lembra muito um castelo. 


O que fazer em Veneza
O interior do Palazzo Ducale
O Palazzo Ducale é extraordinário, tanto por fora, branco com seus inúmeros arcos, quanto por dentro, cujo interior abriga obras de arte magníficas. 


O intuito do Ducale era justamente mostrar ao resto do mundo o quanto Veneza era poderosa e rica.


Uma vez dentro do Palazzo, temos acesso a belezas atemporais como as Escadas do Gigante, Escadarias de Ouro, Apartamentos do Doge, Sala do Mapa e do Escudo e a Sala do Conselho, distribuídos em dois andares.

O que fazer em Veneza
No alto o Palazzo Ducale à esquerda e o Gran Canale à direita e abaixo a Ponte dos Suspiros
Mas não é só isso. Aqui estão os ambientes judiciários e as prisões subterrâneas (pozzi – poços) do palácio colocadas abaixo do nível das águas e, portanto um local úmido e insalubre, que eram destinados aos presos de condição inferior.


Sob o teto estavam o Piombi, Chumbos, menos insalubres por ficarem mais distantes dos canais, reservados aos prisioneiros de classes mais abastadas como aqueles vindos do clero, os nobres e ricos. 
Do lado externo do Ducale, em frente ao Gran Canale, podemos ver a famosíssima Ponte dos Suspiros, que nada tem a ver com suspiros poéticos entre amantes apaixonados e sim com os gemidos e sussurros dos prisioneiros que deixavam para trás a liberdade.

Costuma ter filas, mas vale muito enfrenta-la: horário: abre diariamente: 8h30/19h (abril a outubro); 8h30/17h30 (novembro a março). 16 euros o bilhete.

La Torre dell´Orologio:

A Torre do Relógio, ao funco na Piazza San Marco
A Torre do Relógio fica na Piazza San Marco, foi construída há mais de 500 anos e é também conhecida como Torre dos Mouros. 

É formada por cinco pisos e duas laterais mais baixas: mais uma representação da glória de Veneza.

Por mais de cinco séculos, esse exemplo de engenharia complexa de fins do século XV, regulou a passagem do tempo na cidade e consequentemente conduziu a vida dos moradores.

Os mouros são dois pastores, no topo da torre, um velho, de barba e outro, jovem que batem no grande sino (ele é original) fazendo-o soar: o velho bate um pouco antes (o passado) do que o jovem (o futuro).

Abaixo deles encontramos o leão alado símbolo de Veneza, com o livro de São Marcos Evangelista aberto, à frente do fundo azul e estrelado de Veneza.
Conseguimos ver um pedaço da Torre do Relógio acima dos telhados de Veneza

No andar de baixo encontramos os Reis Magos e o Anjo Gabriel que entram e saem apenas duas vezes ao ano (Dia de Reis e dia da Ascenção) para reverenciar Maria e o menino Jesus.

Por fim, o piso onde está o extraordinário relógio, todo feito em ouro e mármore, com os ponteiros mostrando as 24 horas do dia em algarismos romanos, além das estações do ano, fases da lua e os cinco planetas conhecidos à época: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

Il Campanile:

O campanário visto de diversos pontos de Veneza
Chegamos então ao Anfitrião de Veneza ou Il Padrone di Casa, como os venezianos chamam carinhosamente o campanário. Ele se estende em direção ao céu por cerca de 99 metros e é constantemente utilizado como ponto de referência pelos navegadores.

Sua construção deu-se inicio no século XI e ao longo dos anos seguintes sofreu diversas intervenções para reparar danos causados por terremotos e raios. Assim, o campanário foi resistindo ao passar do tempo.

Até que, em 1902 sem aviso prévio, ele desmoronou. Somente dez anos depois foi finalizado o novo Campanile, “dov´era e com´era” – onde estava e como era.

É possível subir até o topo e ter uma vista de 360 graus de Veneza. Não há escadas e sim elevador. As filas costumam ser enormes e o bilhete para subir custa 8 euros. 

Rialto:


O que ver em Veneza
Rialto vista de sua ponte
Há séculos essa é uma das zonas mais alegres, animadas, intensas e até caóticas da velha Veneza, talvez por ser o centro do comércio.

Apesar da agonia que é andar por esses lados, Rialto tornou-se um de meus lugares favoritos na cidade. 

Aqui, inclusive, acontece o mercado de Veneza, que não é muito grande, mas é um dos mais coloridos que já visitei. O mercado do peixe funciona de terça a sábado, das 7h30 às 12h e o mercado de fruta e verdura abre de segunda a sábado, das 7h30 às 13h30. 
O que ver em Veneza
Rialto

Também nessa área está uma das pontes mais famosas da cidade e a mais antiga: a Ponte de Rialto. 

Toda branquinha, com um design incomum, durante muito tempo ela foi a única que ligava as duas margens do Gran Canale. 


O que ver em Veneza
A ponte Rialto ao fundo


A sensação que experimentei em todas as vezes que estive em Rialto e arredores foi de que o tempo ali estava alargado, parado em algum século distante. É como se Rialto fosse uma janela para o pretérito.

A ponte Fleischbrücke, em Nuremberg, Alemanha, foi influenciada pela Ponte de Rialto e seus desenhos são similares, embora a de Veneza seja mais exibida, bela e poderosa!

Por 200 anos a Ponte de Rialto era de madeira e por qualquer razão – incêndio, inundações ou o peso dos transeuntes - ela era destruída. Somente há mais ou menos 400 anos ela foi reconstruída em pedra, com a linda aparência que vemos hoje.

O Corcunda de Rialto é um personagem que toda gente conhece. Este anão está localizado em frente à Igreja de Giacomo, envergado, com um joelho apoiado no chão, sustentado a pedra do aviso.

Assim é chamada, pois era daqui que o mensageiro do Estado lia em voz alta as novas leis ou anunciava as sentenças criminais. As leituras eram precedidas pelo rufar dos tambores e era acompanhada por uma patrulha de soldados. 

Ponte dell´Accademia:

O que ver em Veneza
A Ponte dell´Accademia e a Gallerie dell Áccademia
A ponte dell´Accademia fica próxima ao Gallerie della´Accademia, especializada em arte italiana do século XIX abrigando inclusive da Vinci. O bilhete custa 12 euros e tem um bom acervo.

Horário: Segunda-feira: das 8:15 às 13:00; Terça-feira a domingo: das 8:15 às 18:15; 


Venda de ingressos termina 45 minutos antes do fechamento.

A ponte data do século XIX e é comum estar lotada de gente tirando fotos, especialmente no fim do dia. Essa é uma das quatro pontes que atravessa o Gran Canale, ligando San Marco ao Dorsoduro. 

Santa Maria della Salute:

O que ver em Veneza
Santa Maria della Salute e Dorsoduro
No século XVII a peste matou cerca de 80.000 pessoas em Veneza. Para comemorar e agradecer o fim da doença foi construída a Chiesa di Santa Maria della Salute, em estilo barroco e é uma pequena joia, localizada próxima à porta da alfândega (Dogana).

O fim de tarde neste local é um dos mais bonitos de Veneza e é uma delícia passear por aí neste horário, pois quase não há pessoas circulando e as que ai estão, buscam silêncio e contemplação.

Andando para a direita (para quem está de frente para o canal) é um passeio deslumbrante porque conseguimos apreciar todo o esplendor de Veneza, longe do burburinho.

Este bairro, o Dordoduro, é um dos mais agradáveis da cidade. Sugestão: escolha um dos muitos restaurantes que aí estão e jante olhando para essa estonteante cidade.

Gôndola X Vaporetto X Traghetto:


O que ver em Veneza
Gôndola X Vaporetto X Traghetto
As gôndolas são símbolo de Veneza, com seus gondoleiros e turistas passeando pelos canais da cidade. Há quem ache romântico e pague os 80 euros pelo passeio.

Eu, contudo, acho entediante, ficar sentada ali enquanto a cidade passa sob meus olhos, sem poder determinar o ritmo, parando, caminhando, mudando de rumo, ao meu bem prazer.

Para passear pelos canais de Veneza e sentir a cidade sob outra perspectiva, eu recomendo usar o vaporetto e o traghetto. Os traghetti (plural de traghetto) são gôndolas que fazem a travessia de um lado a outro do Gran Canale, em um tempo inferior a 5 minutos.

Eles geralmente são usados por moradores que pagam menos de 1 euro para ir de uma margem a outra, enquanto nós turistas temos que desembolsar 2 euros. Foi uma jornada sob medida.

Outra sugestão: os vaporettos. Durante o dia eles costumam ficar lotados, pois, fora os nossos pés, ele é a alternativa de locomoção na cidade: o busão de Veneza. À noite, porém, depois do horário do rush, ele costuma navegar pelo canal, quase vazio.


Compre um bilhete e pegue um vaporetto à noite, qualquer um. Sente-se na área aberta e passe um tempo apreciando Veneza levemente iluminada e silenciosa. Ela é majestosa! 

Com um passe 24 horas é possível visitar Murano/Burano, passear de vaporetto à noite e pegar o mesmo para chegar a estação Santa Lucia no dia de deixar Veneza. Há apenas que ficar atento ao tempo: ele começa a girar quando o bilhete for validado a primeira vez. Informe-se no Posto de Informações Turísticas.

Veneza em Poucas Palavras:

O que ver em Veneza
Perdendo me em Veneza
Veneza é velha e suas rugas, suas feridas, seus traços gastos causados pela ação implacável do tempo estão expostos, marcados e podem ser vistos por todos os lados.

Veneza tem uma energia muito particular que não é possível ser sentida durante o dia, com hordas de pessoas chegando e saindo a todo instante. Para sentir o peso dessa cidade, é preciso aproveitar o silêncio do início da manhã ou do meio da noite. Nesses momentos de mutismo conseguimos escutar os sussurros dos milhares de fantasmas que habitam Veneza.

Um clichê sobre ela é: perca-se pelas ruelas. Isso é uma dessas quase unanimidades, propagadas de boca em boca, de guia em guia, de blog em blog. É que é a mais pura verdade! Querendo ou não, perder-se em Veneza é uma máxima.

Por isso não se apoquente pensando em destinos, em chegar, ao contrário, se entregue a essa cidade, caminhe sem rumo, sem objetivo, sem direção. Será como comer sem culpa, beber sem limites, pecar sem medo de ir para o inferno ou umbral. Perder-se em Veneza é puro, vivo e profundo prazer.